A organização ambientalista Greenpeace defendeu esta quarta-feira um Tratado Oceânico Global que transforme 30% dos oceanos em áreas protegidas, acusando os líderes mundiais de estarem "sonâmbulos" perante a crise climática.

Em comunicado, a Greenpeace considerou que o relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) sobre os oceanos divulgado esta quarta-feira no Mónaco deve "acordar" os líderes mundiais que "fingem que se preocupam".

Num comunicado, o ativista Chris Thorne, do ramo britânico da organização, afirmou que as conclusões do relatório, que confirmam o degelo das massas de gelo e a subida irreversível do nível dos oceanos, vem "acordar os governos que continuam sonâmbulos no meio da crise climática".

Os líderes mundiais na Cimeira da Ação Climática desta semana fingiram que se preocupam, mas se as palavras não se traduzirem em compromissos mais ambicioso para criar um Tratado Oceânico Global, estão a falhar aos milhões de pessoas que fizeram greve pelo clima pelo mundo e saíram à rua a exigir mudanças radicais", adianta o comunicado.

Outro consultor da Greenpeace sediado no leste asiático, Taehyun Park, afirmou que os dados científicos "são arrepiantes e convincentes", considerando que "será necessária uma ação política sem precedentes para evitar as consequências mais sérias para o planeta".

Um tratado global sobre os oceanos visaria transformar "pelo menos 30% dos oceanos do mundo em santuários marinhos", considera a Greenpeace, que defende "passos decisivos para deixar os combustíveis fósseis" e apela aos governos para apresentarem até ao ano que vem planos nacionais para contribuir para conter o aquecimento global nos 1,5 graus centígrados acima dos valores médios da era pré-industrial.