"Uma ofensa às mulheres." É assim que uma estátua de bronze de uma camponesa, inaugurada no fim de semana em Sapri, Itália, está a ser descrita.

A estátua, que representa uma personagem feminina do poema "La spigolatrice di Sapri", escrito pelo poeta Luigi Mercantini em 1857, está a suscitar uma onda de indignação e a levantar o debate sobre o sexismo no país.

Muitos exigem, agora, a sua remoção, incluindo forças políticas.

A interpretação do escultor Emanuele Stifano mostra uma mulher com um vestido transparente, justo e com o braço direito colocado sobre os seios.

Laura Boldrini, deputada do Partido Democrático (PD) e ex-presidente da Câmara dos Deputados, afirmou mesmo que a escultura era "uma ofensa às mulheres e à história que deveria celebrar".

O machismo é um dos grandes males da Itália", sublinhou, ainda, Laura Boldrini, numa publicação na rede social Twitter.

 

A senadora Monica Cirinna pediu mesmo a remoção da estátua que considera ser "uma bofetada no rosto à história e às mulheres, que ainda são vistas apenas como corpos".

O poema “La spigolatrice di Sapri" (O respigado de Sapri, na tradução literal), é uma parte importante da cultura italiana. A história narra, do ponto de vista de uma camponesa, a chegada de insurgentes a Sapri e a sua tentativa falhada em retirar o rei do poder.

O presidente da câmara de Sapri, Antonio Gentile, defendeu a escultura, que, na sua opinião, " foi executada com maestria e com uma interpretação impecável ".

Já o autor da obra ficou “chocado e desanimado” com os comentários, discordando da alegada sexualização da mulher.

Quando faço uma escultura, tento cobrir o mínimo possível o corpo, independentemente do sexo”, apontou.

Redação / IC