Sessenta a 70% da população mundial pode vir a ficar infetada com o novo coronavírus caso uma vacina não seja produzida, alertou o diretor do Programa de Emergências Sanitárias da Organização Mundial de Saúde durante uma sessão de perguntas e respostas no dia 16 de setembro.

Mike Ryan prevê que uma em cada duzentas pessoas fiquem infetadas com o novo coronavírus, no entanto alerta que esse número pode crescer caso uma vacina não seja produzida. Nesse caso, 60 a 70% da população mundial poderá ser infetada.

Uma em cada duzentas pessoas no mundo pode vir a ficar infetada com o vírus. Se não encontrarmos uma vacina e não continuarmos a reprimir o vírus, assumimos que se propagará a 60 ou 70% da população mundial”, afirmou Mike Ryan

Nessa perspetiva, continuou Ryan, “pense nas probabilidades de vencer a lotaria”.

Mike Ryan respondia às declarações de Maria van Kerkhove, epidemiologista da OMS, que manifestou preocupação pela subida do número de infeções nos Estados Unidos e na Europa.

Estamos a ver aumentos nas hospitalizações, nos internamentos nos Cuidados Intensivos, particularmente em Espanha, França, Montenegro, Ucrânia e em algumas partes dos Estados Unidos”, afirmou Van Kerkhove, sublinhando que o aumento de casos acontece antes da época da gripe.

 

 

Não podemos subvalorizar a perigosidade do vírus, especialmente durante o inverno, insistiu Ryan que salientou que “continuamos a perder cinco mil pessoas por dia, sem contar com as mortes de pessoas que não foram testadas e sem contar com aqueles que foram vítimas da interrupção total dos serviços de saúde”.

Mike Ryan afirmou que a comunidade científica ainda não entendeu totalmente a ação do vírus e instou os jovens a não ignorarem o impacto que uma infeção pode vir a ter. “Nem toda a gente, nem mesmo os jovens, conseguem ter uma recuperação total”.

Uma das coisas que verificamos é que o número estimado de mortes decorrentes de infeções é de 0.6%. Pode não parecer muito, mas num vírus que tem capacidade de se propagar por todo o mundo… é um número imenso”, explicou Mike Ryan.

O especialista da OMS pede para que a população não olhe para a percentagem como um número, mas sim como vidas humanas. “Estes números parecem pequenos até calcularmos o impacto que podem ter.

Um recorde de dois milhões de novos casos de covid-19 foram registados na semana passada, enquanto o número de mortes caiu 10%, indicou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde.

Contudo, a região europeia da OMS registou o maior aumento de mortes entre 14 e 20 de setembro (+ 27%) em comparação com a semana anterior.

Com exceção de África, todas as regiões registaram um aumento nos casos na última semana.

Globalmente, mais de 30,6 milhões de casos e 950 mil mortes foram relatados à OMS desde o início da doença que começou no final de dezembro do ano passado na China.

De 14 a 20 de setembro, houve quase dois milhões de novos casos de covid-19, o que representa um aumento de 6% em relação à semana anterior e o maior número de casos relatados numa única semana desde o início da epidemia”, refere a OMS no seu boletim semanal.

No mesmo período, o número de mortes diminuiu 10%, tendo sido notificados 37,7 mil óbitos.

No entanto, o número de casos diagnosticados reflete apenas uma fração do número real de infeções já que alguns países testam somente os casos graves, outros priorizam o teste para rastreamento e muitos países pobres têm uma capacidade limitada de testagem.

O continente americano, responsável por mais de 38% de todos os novos casos notificados na semana passada, continua a ser o mais afetado, de acordo com as estatísticas da organização.

Porém, a região registou uma queda de 22% no número de mortes.

A região do Sudeste Asiático, que responde por 35% dos novos casos na semana passada, ultrapassou a marca de 100 mil desde o início da pandemia, com nove mil novas mortes na última semana.

As regiões do Mediterrâneo Oriental e do Pacífico Ocidental registaram um ligeiro aumento nos novos casos e no número de mortes nas últimas três semanas.

Em África, a epidemia continua a desacelerar, com quebras de 12% nos novos casos de covid-19 e 16% nos dados sobre as mortes.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 961.531 mortos e mais de 31,1 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.