Perto de 1,4 milhões de crianças podem morrer este ano devido à fome e malnutrição em quatro países localizados no continente africano e península arábica, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado esta segunda-feira.

Iémen, Nigéria, Somália e Sudão do Sul são os países que mais preocupam a Unicef, nações onde a guerra, a pobreza e a seca estão a provocar falta de alimentos. Centenas de milhares de crianças passam fome ou estão malnutridas, alerta aquela organização.

Estimativa para 2017
Iémen 468.000
Nigéria 450.000
Somália 185.000
Sudão do Sul 270.000

A guerra afeta o Iémen já há dois anos e as zonas de Adamawa, Borno e Yobi, na Nigéria. No caso deste último, a Unicef alerta para as zonas inacessíveis, que não permitem a chegada de ajuda humanitária às populações.

No caso da Somália, a seca está a agravar as condições de um país destruído pelo conflito. A ONU estima que metade da população, 6,2 milhões de pessoas, tenham falta de alimentos ou necessitem de assistência humanitária.

No Sudão do Sul o alerta devido à fome já foi declarado para a parte central do norte do país, zona onde vivem 20 mil crianças. O número de pessoas com falta de alimentos nesta nação africana poderá chegar aos 5,5 milhões, se nada for feito para inverter a tendência de crescimento.

O Fundo da ONU para a Infância quer evitar a concretização da estimativa e a repetição da “tragédia de 2011” no Corno de África.

O tempo está a esgotar-se para mais de um milhão de crianças. [Mas] ainda podemos salvar muitas vidas. A malnutrição severa e a fome iminente são, em larga escala, culpa do homem. A nossa humanidade exige uma intervenção rápida. Não podemos repetir a tragédia de 2011 no Corno de África, que resultou da fome [generalizada] ”, afirmou Anthony Lake, diretor executivo da Unicef.

Só este ano, a Unicef vai garantir tratamento para 220 mil crianças malnutridas na Nigéria, mais de 200 mil no Sudão do Sul, 200 mil na Somália e 320 mil no Iémen.

Élvio Carvalho