O porta-voz da ajuda humanitária das Nações Unidas avisou, esta sexta-feira, que a retirada de feridos e doentes da cidade de Alepo, prevista para hoje, não está a acontecer por falta de garantias de segurança.

A ONU queria utilizar a pausa nos bombardeamentos, por parte da Rússia e forças governamentais, para avançar com ajuda humanitária, nomeadamente, prestar auxilio a centenas de pessoas doentes ou feridas e entregar mantimentos na zona controlada por rebeldes.

Como escreve a agência Reuters, o embaixador da Síria em Genebra, Hussam Aala, atirou a culpa desta situação para os rebeldes, que acusou de estarem a usar morteiros e snipers para atacar os corredores de ajuda humanitária e vários pontos de travessia.

Hussam Aala disse que o governo deu “luz verde” à ONU para iniciar as evacuações há dois dias e garante que há autocarros e ambulâncias prontos para retirar e ajudar quem vive na zona controlada.

O cessar-fogo unilateral em Alepo, iniciado ontem, foi instituído com o objetivo de deixar sair civis e rebeldes das zonas controladas. Durante 11 horas por dia, durante quatro dias (desde quinta-feira), Rússia e governo sírio prometem não bombardear as posições rebeldes, desde que não haja um ataque por parte dos rebeldes.

No entanto, os rebeldes não estão a “aproveitar” a pausa nos bombardeamentos, pois acreditam que vão ser detidos se saírem das suas posições. Segundo a Aljazeera, os rebeldes têm, por isso, intenções de preparar uma contraofensiva contra o exército sírio, mesmo após o aviso da Rússia que qualquer violação do cessar-fogo significará o fim da pausa humanitária.

Um residente da zona sitiada da cidade contou à cadeia de TV que os civis não querem abandonar a parte este da cidade e pede que a ajuda e mantimentos seja entregue ali.

Eles falam de corredores humanitários, então por que razão não deixam passar comida para a este de Alepo para aliviar o nosso sofrimento? Só queremos que os bombardeiros russos parem de matar as nossas crianças. Não queremos ir embora”, afirmou Ammar Al-Qaran.

Entretanto, a marinha inglesa informou que vários navios de guerra russos foram avistados, e seguidos, a passar ao largo do Reino Unido. As autoridades britânicas acreditam que se dirigem para a Síria, onde vão auxiliar o exército governamental nos bombardeamentos de Alepo.

O oficial das Nações Unidas para os direitos humanos já condenou o sítio e bombardeamento da cidade e considerou que estes ataques constituem “crimes de proporções históricas”.