A Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu esta quarta-feira voltar a convocar, na quinta-feira, o Comité de Emergência para determinar se o surto do novo coronavírus, com origem na China, deve ser uma emergência de saúde pública internacional.

A decisão foi comunicada na rede social Twitter pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, depois de há uma semana a organização ter considerado prematura a declaração de emergência de saúde pública internacional, no final de uma reunião de dois dias do mesmo comité, formado por especialistas, incluindo epidemiologistas.

Tedros Adhanom Ghebreyesus justificou a convocação, de novo, do Comité de Emergência com o "risco de propagação mundial" do coronavírus (família de vírus que causa pneumonias).

A China elevou para 132 mortos e mais de 5.900 infetados o balanço do novo coronavírus detetado em dezembro na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, no centro do país.

Além do território continental da China, também foram reportados casos de infeção em Macau, Hong Kong, Taiwan, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Finlândia e Emirados Árabes Unidos.

Uma emergência de saúde pública internacional supõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

Para a declarar, a OMS considera três critérios: uma situação extraordinária, de risco de rápida expansão para outros países e de resposta internacional coordenada.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, apesar de a maioria das infeções se ter verificado na China, com apenas 68 casos confirmados noutros 15 países, uma transmissão inter-humana foi registada fora da China (Alemanha, Vietname e Japão).

Ainda que os números fora da China sejam ainda relativamente baixos, são suscetíveis de dar origem a uma epidemia bem maior", afirmou em conferência de imprensa, na sede da OMS.

De acordo com o diretor-geral da OMS, a maior parte das pessoas infetadas apresenta "sintomas ligeiros", mas uma em cada cinco sofre de uma doença grave, como pneumonia e insuficiência respiratória.

O mundo inteiro deve estar em alerta, o mundo inteiro deve agir", declarou o diretor dos programas de emergência da OMS, Michael Ryan, em Genebra.

No domingo, o diretor-geral da OMS deslocou-se à China, onde se encontrou com representantes do governo e peritos de saúde.

Tedros Adhanom Ghebreyesus afirmou que teve "encontros francos" com o presidente chinês, Xi Jinping, que colocou em prática "uma resposta nacional monumental".

Na terça-feira, a OMS anunciou o envio de especialistas internacionais para a China.

A emergência de saúde pública internacional foi declarada para as epidemias da gripe H1N1, em 2009, dos vírus Zika, em 2016, pólio, em 2014, e do Ébola, que atingiu uma parte da África Ocidental, de 2014 a 2016, e a República Democrática do Congo, em 2018.

O número de casos de infeção pelo novo coronavírus, designado provisoriamente pela OMS como "2019-nCoV", ultrapassa a cifra de contágios verificada com a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), causada por um outro coronavírus, mas igualmente detetada na China e que se estendeu a outros países, em 2002 e 2003.

A SARS infetou 5.327 pessoas na China e provocou 774 mortos no mundo, incluindo 349 na China continental.

/ AG