A Organização Mundial de Saúde (OMS) saudou esta segunda-feira a “primeira descida desde setembro” no número de novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2 na Europa, ressalvando que “qualquer avanço pode ser rapidamente perdido” no combate à pandemia.

Em conferência de imprensa na sede da organização, em Genebra, o diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, afirmou que na semana passada se verificou uma redução em novos casos, sobretudo conseguida no continente europeu, “devido à eficácia de medidas difíceis, mas necessárias” de restrição à liberdade de movimentos das populações.

Contudo, recomendou “extrema cautela” na análise destes resultados, indicando que em outras regiões do globo tal não se verificou.

Apontando para a época festiva de dezembro, comum a “muitas culturas e países”, afirmou que “estar com família e amigos não justifica colocar ninguém em risco”.

A pandemia mudará como se celebra, mas não significa que não se possa celebrar”, declarou, defendendo que um dos cuidados principais será evitar viagens e recomendando que se celebre dentro de cada agregado familiar “evitando ajuntamentos com agregados familiares diferentes”.

Se se juntarem vários agregados, deverão fazê-lo “no exterior, se possível”, e devem também evitar-se “centros comerciais cheios”, optando por alturas em que haja menos aglomerados ou por fazer compras pela Internet.

Questionado sobre a missão anunciada pela OMS para ir à China investigar a origem do novo coronavírus mas que ainda não partiu para o terreno, Tedros Ghebreyesus reiterou que a organização está a “fazer tudo para saber a origem”.

Esta é uma questão técnica apesar de haver quem a queira politizar. Estamos a fazer tudo o que podemos, mas baseados na ciência”, afirmou.

A questão da missão à China relaciona-se com acusações, nomeadamente da administração norte-americana, sobre a alegada subserviência da OMS à China.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 1.460.018 mortos resultantes de mais de 62,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 4.505 pessoas dos 298.061 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

/ AG