A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou hoje que vai investigar alegações de exploração e abuso sexual no contexto da resposta à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo).

As ações alegadamente perpetradas por indivíduos que se identificam como trabalhando para a OMS são inaceitáveis e serão investigadas com firmeza", adiantou, em comunicado, a organização.

A OMS indicou que o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, iniciou uma "revisão minuciosa" destas alegações específicas, bem como de outras questões de proteção "mais amplas em contextos de resposta a emergências sanitárias".

Qualquer pessoa identificada como estando envolvida será responsabilizada e enfrentará graves consequências, incluindo o despedimento imediato", assegurou a OMS, sublinhando "política de tolerância zero" da organização em relação à exploração e abuso sexuais.

 

A traição das pessoas nas comunidades que servimos é repreensível. Não toleramos tal comportamento em nenhum dos nossos funcionários, subcontratados ou parceiros", reforça a nota.

A RDCongo enfrenta a 11.ª epidemia de Ébola, desta vez no noroeste do país, onde foram registadas 50 mortes em 123 casos, pouco meses depois de ter sido declarada extinta a 10.ª epidemia desta doença no país.

Iniciada em agosto de 2018 e dada como finda em junho de 2020, foi a segunda pior da história da RDCongo, tendo registado 3.470 casos e 2.287 mortes.

A pior epidemia desta doença conhecida no mundo foi declarada em março de 2014, com os primeiros casos que remontam a dezembro de 2013 na Guiné-Conacri e que, posteriormente, se expandiu para a Serra Leoa e a Libéria.

A Organização Mundial de Saúde sinalizou o fim da epidemia em janeiro de 2016, depois de registar 11.300 mortes e mais de 28.500 casos, embora esta agência das Nações Unidas tenha admitido que estes números podem ser conservadores diante da situação encontrada naqueles países africanos.

O vírus do Ébola é transmitido por contacto direto com o sangue e fluidos corporais de pessoas ou animais infetados, causando hemorragia grave e tem uma taxa de mortalidade de 90%.

A resposta à epidemia envolve as autoridades centrais congolesas e atores internacionais, entre os quais a Organização Mundial da Saúde, o Fundo das Nações Unidas para a Infância e os Médicos Sem Fronteiras.

/ HCL