A ETA anunciou que vai concretizar o seu desarmamento de forma unilateral nas próximas semanas. Segundo o Le Monde, intermediários civis já notificaram a justiça francesa, em nome da ETA, com a localização dos esconderijos da organização.

A operação de desarmamento da ETA envolve vários civis e ativistas da região do País Basco, incluindo o grupo ecologista Bizi, que confirmou ao Le Monde que o desarmamento será concluído a 8 de abril.

A Eta deu-nos a tarefa de participar no seu desarmamento. Na tarde de 8 de abril, a ETA estará totalmente desarmada”, afirmou Etcheverry Txetx, do grupo Bizi.

A maior parte do arsenal militar dos separatistas bascos está em território francês. Armas e explosivos estão escondidos quer em locais na Natureza, quer em casas particulares. 

A notícia surge três meses depois de uma primeira tentativa de desarmamento ter falhado, em dezembro do ano passao. Uma operação conjunta da polícia francesa e da Guarda Civil espanhola contra a organização impediu que os separatistas levassem a cabo as suas intenções.

A operação ocorreu a 16 de dezembro do ano passado, em Louhossoa, a 30 quilómetros da região de Baiona, e resultou na detenção de cinco pessoas. As autoridades encontraram um depósito com armas, explosivos e material para fazer bombas na casa de uma jornalista do portal basco-francês Mediabask, que foi uma das pessoas detidas.

Na altura, as autoridades disseram que as armas iam ser usadas numa ação de "propaganda" da organização. Os investigadores acreditavam que o material apreendido iria ser usado para "uma encenação semelhante à realizada em fevereiro de 2014”, quando membros da ETA apresentaram uma “paupérrima amostra de armas”.

A ETA anunciou que iria cessar definitivamente a sua atividade armada em outubro de 2011. A organização tentou negociar com os governos de Espanha e França o seu desarmamento, sem sucesso. Por isso, os separatistas decidiram mudar de estratégia e, desde o ano passado, passaram a envolver intermediários civis na operação. 

Durante as quatro décadas de violência na luta pela independência do País Basco, região que compreende uma parte do norte de Espanha e outra do sudoeste de França, ataques da organização levaram à morte de 829 pessoas.

Sofia Santana