O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, falou, neste sábado, com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e com o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, após o ataque israelita que destruiu o edifício que albergava a agência noticiosa norte- americana Associated Press em Gaza.

De acordo com uma declaração do gabinete do primeiro-ministro israelita, durante a conversa, Benjamin Netanyahu "sublinhou que Israel estava a fazer tudo para evitar atacar pessoas não envolvidas no conflito", insistindo que a retirada de pessoas do edifício, "onde havia alvos terroristas", tinha sido organizada antes do ataque.

Dissemos diretamente aos israelitas que garantir a segurança dos jornalistas e dos meios de comunicação independentes é uma responsabilidade extremamente importante", tinha escrito anteriormente na rede social Twitter a porta-voz da administração norte-americana, Jen Psaki.

De acordo com repórteres da Agência France Presse (AFP) no local, a torre de 13 andares, que também albergava a estação de televisão do Qatar Al-Jazeera, foi destruída por vários mísseis israelitas.

Estamos chocados e horrorizados com o facto de o exército israelita ter como alvo e destruir o edifício que alberga o escritório da Associated Presse (AP) e outros meios de comunicação em Gaza. Há muito que conhecem a localização do nosso escritório e sabiam que os jornalistas estavam lá. Fomos avisados de que o edifício seria atingido", disse o chefe da AP, Gary Pruitt, numa declaração.

Os militares israelitas disseram que equipamentos de "inteligência militar" do Hamas, o movimento islamita dominante no enclave, estavam no edifício visado.

Conversa "importante" entre Biden e Abbas

O dia de hoje marca também a primeira chamada telefónica de Joe Biden, desde que tomou posse, para o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, de acordo com o seu gabinete em Ramallah, na Cisjordânia.

O porta-voz da presidência palestiniana, Nabil Abu Rudeinah, disse à AFP que o telefonema foi "importante", mas não divulgou o conteúdo preciso da conversa.

A nova escalada registada, desde segunda-feira, no conflito entre Israel e o Hamas em Gaza causou já a morte a pelo menos 139 pessoas, incluindo 39 crianças.

Em Israel, oito pessoas foram mortas, incluindo um homem que foi atingido por um rocket que acertou Ramat Gan, um subúrbio de Telavive.

Este aumento da violência tem levado ao medo de uma nova intifada, numa altura em que não há conversações de paz.

Os palestinianos assinalam este sábado o Dia de Nakba (Catástrofe), quando cerca de 700.000 pessoas foram expulsas ou fugiram das suas casas nos territórios onde hoje se situa Israel, durante a guerra de 1948, o que faz aumentar os receios de mais agitação.

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