O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, 86 anos, está a caminho da Alemanha, onde vai realizar exames médicos “de rotina” e encontrar-se com a chanceler Angela Merkel, indicou uma fonte do seu gabinete.

Abbas deixou o seu quartel-general em Ramallah, na Cisjordânia, a bordo de um helicóptero jordano”, que o veio buscar, e voará da Jordânia para a Alemanha, disse a mesma fonte que não quis ser identificada à agência France-Presse.

Na Alemanha, onde ficará três dias, o presidente da Autoridade Palestiniana “encontrar-se-á com a chanceler Merkel e realizará exames médicos de rotina”, adiantou, sem mais pormenores.

Fumador inveterado com um histórico de problemas cardíacos, Abbas esteve hospitalizado em 2018 em Ramallah durante mais de uma semana com uma pneumonia.

Nos últimos dias participou em eventos públicos e não havia indícios de que estivesse doente. O dirigente palestiniano recebeu a primeira dose de uma vacina contra o coronavírus no mês passado.

A deslocação é anunciada numa altura em que Abbas se encontra fragilizado no plano político.

O responsável decretou em janeiro eleições nos territórios palestinianos, as primeiras desde 2016, tendo marcado legislativas para 22 de maio e presidenciais para 31 de julho.

A popularidade de Abbas tem vindo a descer nas sondagens, que colocam o seu rival Marwan Barghouti, alto quadro da Fatah preso em Israel, e Ismail Haniyeh, líder do partido islâmico Hamas, como as personalidades com maior probabilidade de vencer os escrutínios.

O seu partido laico, a Fatah, está dividido. Nasser Quidwa, sobrinho do líder histórico palestiniano Yasser Arafat, foi excluído do partido por ter criticado a classe dirigente, mas candidatou-se às legislativas com o apoio de Barghouti.

A comissão eleitoral aprovou 36 listas para as legislativas e deve anunciar a sua composição na terça-feira.

Abbas assumiu a presidência interina da Autoridade Palestiniana após a morte de Arafat em 2004 e foi eleito para um mandato de quatro anos no ano seguinte, mantendo-se em funções desde então. Nunca escolheu um sucessor.

/ MJC