A Rússia apoia a normalização das relações entre Israel e os países árabes, mas considera que tal não deve fazer esquecer a resolução do conflito israelo-palestiniano, disse esta segunda-feira o chefe da diplomacia russa.

A normalização das relações entre Israel e os países árabes avança e claro que é algo positivo, pois elimina as contradições de outrora e estabelece canais de comunicação civilizados com base em métodos legais”, indicou Serguei Lavrov numa conferência de imprensa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, que falava após uma reunião com o seu homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan, sublinhou, no entanto, que tal processo “não deve deixar para trás ou levar ao esquecimento do problema palestiniano”.

Lavrov insistiu que o problema deve ter como objetivo final “a criação de um Estado palestiniano, que coexista em paz e segurança com Israel”, defendendo que a comunidade internacional deve unir forças para conseguir o reinício das negociações diretas entre israelitas e palestinianos.

Segundo Serguei Lavrov, devem participar nas negociações, além do quarteto de mediadores internacionais – Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU –, o quarteto da Liga Árabe – Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Arábia Saudita -, questão que abordou com Abdullah bin Zayed Al Nahyan.

Os Emirados foram o primeiro dos quatro países árabes que desde agosto anunciaram acordos de normalização das relações com Israel, tendo sido seguido pelo Bahrein, Sudão e Marrocos. Tradicionalmente, os países árabes faziam depender o reconhecimento do Estado hebreu de um acordo entre Israel e os palestinianos.

O nosso objetivo final é a plena normalização da situação na região, a criação de um Estado palestiniano e o estabelecimento de relações entre Israel e todos os países desta zona do mundo”, afirmou o chefe da diplomacia russa.

Assinalou ainda que a Rússia está disposta a mediar entre o Irão e os países árabes, num contexto de crescente tensão devido, entre outras questões, ao programa nuclear iraniano.

Entendemos as dificuldades que existem entre alguns países árabes e a República Islâmica do Irão e expressamos a nossa disposição para ajudar a criar as condições para o início do diálogo”, adiantou Lavrov.

O ministro dos Emirados declarou rejeitar o extremismo e o terrorismo e defendeu que o Médio Oriente seja uma região livre de armas de destruição em massa.

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