Soldados israelitas revelaram que o exército do seu país cometeu abusos contra a população palestiniana durante a última operação militar na Faixa de Gaza, que decorreu nos últimos meses de Dezembro e Janeiro. As confissões foram tornadas públicas pelo jornal «Hareetz».

Num dos testemunhos, é descrito como uma mãe e dois filhos foram mortos. Um comandante de pelotão relata que entrou numa casa, que estava sob a mira de um sniper, com os seus homens. A família que se encontrava no interior foi colocada num dos quartos. Quando um outro pelotão substitui estes homens, com ordens para deixar sair a família, deu-se uma tragédia.

«O comandante do pelotão deixou a família sair e disse-lhes para ir pela direita. A mãe e seus dois filhos não entenderam e saíram para a esquerda, mas esqueceram-se de dizer ao sniper que estava no telhado que tinha que deixá-los sair, que estava tudo bem, e que não devia disparar. E ele... ele fez o que era suposto, seguiu as ordens que tinha», cita desta forma o «Haaretz» um militar, que aponta que não sabe se o seu colega disparou para os pés, como prevêem as normas. «Mas matou-os», apontou.

Um outro relato de um militar é também comprometedor relativamente à actuação das forças israelitas. «Antes de irmos para uma zona, tínhamos uma reunião sobre as normas de ataque e de abrir fogo dentro de uma cidade, porque, como sabem, disparámos muitas vezes e matámos muitas pessoas para não ficar feridos ou para que não disparassem sobre nós».



Estes testemunhos contrariam a versão oficial do exército, que garante que as tropas israelitas demonstraram durante a operação um elevado nível de comportamento ético.

Este conjunto de relatos faz parte de um reportagem que o diário israelita irá publicar nos próximos dias sobre o conflito, que resultou na morte de mais de 1300 palestinianos.
Redação / AP