O número de mortos durante os ataques a Palma, em Cabo Delgado (norte de Moçambique) ainda é indeterminado porque “uma boa parte dos populares foram raptados” e acabaram por ser mortos, mas ainda não foram encontrados, disse fonte militar.

Temos informações de que uma boa parte dos populares foram raptados e ao longo da caminhada, na sua retirada, outros foram mortos e outros continuam fora [de Palma]. Esta semana, infelizmente, ainda temos esse desafio. Queremos o mais urgentemente esclarecer essa situação, mas vai levar tempo, dada a natureza em que coisa se desenrolou”, disse o porta-voz do Teatro Operacional Norte, Chongo Vidigal, depois de uma visita a Palma.

O responsável pelo teatro de operações na região da província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, acrescentou que até hoje 35 insurgentes morreram, desde o início das operações para reconquistar a vila que foi atacada em 24 de março.

Contudo, o número poderá ser maior.

Acreditamos que o número passe [o atual], porque eles têm uma tática: A primeira coisa que fazem, quando são mortos [outros insurgentes], é rapidamente recolherem as vítimas para a retaguarda. Se não conseguirem no momento, eles inclusivamente optam por cortar a cabeça, deixam o corpo, provavelmente para não serem reconhecidos”, explicou.

Já em relação ao número de militares que morreram durante os combates, admitiu que, “naturalmente, há baixas, mas foram muito diminutas”.

Durante uma visita a Palma, vários militares descreveram o dia em que Palma começou a ser retomada e mostraram vários edifícios abandonados ao longo da estrada que dá acesso à vila onde os 'jihadistas' tentaram emboscar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas.

Os militares destacados em Palma também explicaram que os 'jihadistas' recuaram, mas conseguem misturar-se com a população, já que muitos foram identificados como sendo habitantes de Palma ou Quitunda.

A violência desencadeada há mais de três anos na província de Cabo Delgado ganhou uma nova escalada há duas semanas, quando grupos armados atacaram pela primeira vez a vila de Palma, a cerca de seis quilómetros dos multimilionários projetos de gás natural.

Os ataques provocaram dezenas de mortos e obrigaram à fuga de milhares de residentes de Palma, agravando uma crise humanitária que atinge cerca de 700 mil pessoas na província, desde o início do conflito, de acordo com dados das Nações Unidas.

O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia, mas as FDS reassumiram completamente o controlo da vila, anunciou no domingo o porta-voz do Teatro Operacional Norte, informação reiterada na quarta-feira pelo Presidente moçambicano.

Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona.

/ JGR