A mensagem de apelo ao protesto começou a circular no WhatsApp na quarta-feira, entre os que correm à frente dos touros nas festas de San Fermín, Pamplona. Falava-se de largadas "adulteradas", "desnaturalizadas", que perderam a essência. Por isso, apelava-se aos participantes nas largadas que se sentassem em vez de correrem e muitos aderiram: esta quinta-feira, dezenas ficaram no chão, em protesto, em vez de partirem na frente dos touros à quinta largada nas festas de San Fermín. 

Segundo o La Vanguardia, as queixas são maioritariamente dos mais velhos, que descrevem as largadas de hoje como demasiado "rápidas e limpas", menos imprevisíveis e excitantes.

Para os que conheceram outras largadas em que os touros podiam correr, punham emoção e faziam deste ato algo único e imprevisível. O que vivemos estes últimos anos resulta numa farsa e num engano. Chega de bois treinados ocupando o espaço do touro, basta de touros treinados a ir em manada", acrescenta a mensagem.

A explicação para o descontentamento passa também pelo facto de as autoridades espalharem agora pelas ruas de Pamplona 1.500 litros de antideslizante: torna as largadas mais seguras para os que correm com os touros mas impede que os animais deslizem e caiam, o que permitia que alguns dos touros conseguissem correm sem obstáculo dos restantes e se afastassem da manada, propiciando momentos de desafio para os participantes.

Diz quem gosta que, desta forma, a corrida deixa de ter "interesse", escreve o La Vanguardia, e que a festa acabará "condenada e a pouco e pouco desaparecerá"

As festas de San Fermín, em Pamplona, Espanha, são célebres em todo o mundo pelo perigo destas largadas de touros: populares e turistas que ali se deslocam especialmente para a ocasião correm na frente dos touros pelas ruas estreitas da cidade, o que muitas vezes termina com acidentes graves, feridos e mortos. 

Apesar dos protestos, a quinta largada desta edição das festas, esta quinta-feita, acabou por se realizar, tendo demorado um total de 2 minutos e 49 segundos.