O nome de Lionel Messi foi um dos muitos que em abril de 2016 surgiu na primeira leva dos Panama Papers (Papéis do Panamá, em Português). Na altura, sabia-se que os representantes do jogador argentino tinham tentado comprar uma sociedade no Panamá no dia seguinte à denúncia da Procuradoria de Barcelona de que Messi e o pai de tinham fugido ao fisco espanhol.

No mesmo ano, a estrela do Barcelona foi condenado, em Espanha, por três delitos fiscais. Como pena receberam 21 meses de prisão por defraudar em 4,2 milhões de euros as Finanças espanholas durante os anos de 2007, 2008 e 2009. Os dois também não tributaram no país os 10,1 milhões que receberam de direitos de imagem do jogador, umas vez que usaram empresas offshore no Belize, Uruguai, Reino Unido e Suíça para desviar do governo espanhol milhões de euros em impostos.

Em 2017, o pai de Messi viu a pena ser reduzida para 15 meses e a multa para 1,4 milhões de euros. Já o futebolista continua condenado a 21 meses de prisão e a uma multa de 2.093.000 euros.

Nos documentos revelados em 2016 mostravam que Messi e o pai detinham ainda outra empresa offshore no Panamá, a Mega Star Enterprises.

A primeira referência à empresa nos ficheiros da Mossack Fonseca surge em 13 de junho de 2013 - um dia depois de os acusadores espanhóis acusarem pela primeira vez de fraude fiscal Messi e seu pai. Um email indicava que a responsabilidade por tratar dos papéis da empresa era transferida para a Mossack Fonseca a partir de outro agente offshore. A primeira referência nos ficheiros ao facto de os Messi serem donos da Mega Star aparece menos de duas semanas mais tarde em 23 de junho de 2013.

Messi mantém a empresa Mega Star ativa

Agora, uma nova fuga de informação com documentos recentes da Mossack Fonseca revela como Messi mantém a empresa Mega Star ativa no Registo Público do Panamá e que as autoridades do país da América Central abriram, em 2017, uma investigação às "operações suspeitas" feitas por esta sociedade.

Os documentos a que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação - do qual a TVI faz parte - teve acesso, o jogador e o pai continuam a usar as offshore registadas em diversos países nas contabilidades de 2010 a 2013, factos pelos quais ainda não foram julgados e que se encontram em acordos com as Finanças espanholas.

A Unidade de Análise Financeira (UAF) para a prevenção do branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo do Panamá emitiu em fevereiro de 2017 um "Relatório de Operação Suspeita" sobre a empresa dos Messi, facto que um email interno da Mossack Fonseca, agora divulgado, assim mostra.

Segundo o jornal El Confidencial, fontes da UAF do Panamá confirmam mesmo a existência do relatório número 20.634 e dizem que "é incrível que os jornalistas tenham tido acesso a essa informação", uma vez que tratam dos mesmo "com muito secretismo".

A nova fuga de informação

A 9 de março de 2016 alguns funcionários da Mossack Fonseca, um escritório de advogados no Panamá que durante décadas manteve os segredos financeiros de alguns dos mais notórios e famosos oligarcas, criminosos e celebridades do mundo, fizeram uma descoberta capaz de lhes revirar o estômago. Alguém tinha copiado quantidades enormes de dados de seus computadores. Tinham sido roubados e-mails, contratos, extractos bancários num total de cerca de 11,5 milhões de documentos com os registos mais confidenciais dos clientes da empresa, acumulados em 2,6 terabytes de dados.

De repente, a gestão diária do negócio de montar companhias offshore em paraísos fiscais deixava de ser a prioridade. Em vez disso, como mostram os novos documentos internos da Mossack Fonseca obtidos, os funcionários começaram a trabalhar furiosamente numa nova missão: descobrir quem eram os seus clientes.

No papel que desempenhou como um dos principais operadores no mundo das finanças offshore, a Mossack Fonseca negligenciou ao longo de anos as regras que exigiam aos advogados e a outros especialistas em serviços offshore que identificassem e verificassem quem eram os seus clientes, regras que foram desenhadas para evitar actividades criminosas.

Ao longo do ano, segundo os documentos agora obtidos, os funcionários da Mossack Fonseca enviaram e-mails de forma frenética a banqueiros, contabilistas e advogados — resumidamente, a todos os profissionais que contrataram a operadora de offshores do Panamá para montar empresas-fantasma para clientes ricos que queriam permanecer anónimos — na tentativa de corrigir as lacunas de informação que tinham nos seus registos, o que gerou um estado de pânico e de fúria nos intermediários.

Os Papéis do Panamá são a maior investigação jornalística da história divulgada, que envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, com sede em Washington, do qual a TVI, juntamente com o Expresso, faz parte e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação de 11,5 milhões de documentos sobre quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

/ AM