O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da China anunciou ter detetado pela primeira vez uma amostra viva de SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19, numa embalagem de bacalhau congelado que foi recebida no porto de Qingdao. 

A cidade tornou-se conhecida mais recentemente porque as autoridades locais, perante um surto com uma dúzia de casos de covid-19 num hospital, decidiram testar toda a população, ou seja, nove milhões de pessoas. 

O Centro de Controlo de Doenças chinês não revelou de onde era proveniente a embalagem contaminada recebida em Qingdao, mas sublinhou que é "a primeira vez que se confirmou fora de um laboratório que este novo coronavírus pode sobreviver durante um longo período no exterior da embalagem de produtos em condições especiais de transporte refrigerado". 

O diário estatal chinês Global Times, citado pelo El País, destacou ainda que a descoberta pode significar que "o coronavírus usa os produtos refrigerados como portadores", o que permitirá a sua propagação "transfronteiriça e a longa distância". 

Ao Global Times, Yang Zhanqiu, subdiretor do Departamento de Biologia de Patogénicos da Universidade de Wuhan, a cidade chinesa onde pela primeira vez foi detatado o novo coronavírus, admite que a descoberta pode ajudar a avançar a investigação sobre a capacidade de sobrevivência do SARS-CoV-2 e as suas origens, sugerindo que se a sequência genética do vírus detetado na embalagem de bacalhau coincidir com a daquele encontrado nos humanos existe a possibilidade de o vírus ter tido origem em animais aquáticos e não no morcego ou pangolim. 

Ainda assim, as autoridades de saúde da China asseguram que, até ao momento, não foi detetado qualquer contágio de covid-19 por ingestão de alimentos e que a sobrevivência do vírus na superfície das embalagens refrigeradas poderá ser perigosa apenas para os trabalhadores do sector que as manusearem sem proteção.

Bárbara Cruz