Só nas últimas quatro semanas houve um aumento de 90 por cento no número de casos do novo coronavírus entre crianças, nos Estados Unidos. A conclusão faz parte de um relatório publicado pela Academia Americana de Pediatria (AAP) e pela Associação de Hospitais Infantis.

De acordo com o novo relatório, que sede ser atualizado semanalmente, entre 9 de julho e 6 de agosto, foram reportados 179.990 novos casos de Covid-19 entre crianças.

De acordo com a CNN Brasil, parte do aumento pode estar relacionado com o aumento dos testes, disse a AAP. Recorde-se que no início da pandemia, os testes eram reservados para as pessoas que se encontravam mais doentes, só depois começaram a ser alargados à população.

Sintomas graves mais raros entre crianças

Segundo os autores do estudo, as crianças representam pouco mais de 9 por cento de casos em estados e, por norma, apresentam sintomas menos graves.

As crianças representam 0,5 por cento a 5,3 por cento do total de internações nos EUA, mostram os dados dos estados que registam essa informação. As crianças representaram, até agora, zero por cento a 0,4 por cento de todas as mortes de Covid-19.

A AAP pediu uma estratégia eficaz de testes para que as comunidades possam fazer a escolha certa sobre a abertura de escolas.

“Os dados - embora limitados devido à dependência de como cada estado reporta os seus casos - mostram a necessidade urgente de controlar o vírus nas comunidades para que as escolas possam reabrir”, disse um comunicado da APP.

“Em zonas com uma rápida disseminação pela comunidade, é provável que mais crianças também sejam infetadas, e esses dados mostram isso”, disse a presidente da AAP, Dra. Sally Goza.

“Como pediatra, exorto as pessoas a usarem coberturas de pano no rosto e a serem cuidadosos no distanciamento social e na lavagem das mãos. Cabe-nos a nós fazer a diferença, comunidade por comunidade", sublinhou.

Sintomas passados meses

Embora ainda haja muito desconhecimento à volta da doença, os especialistas acreditam que os sintomas da Covid-19, nas crianças, podem permanecer durante vários meses.

Segundo a CNN Brasil, exemplo disso Indiana Evans, de 14 anos, uma estudante e bailarina, de Inglaterra.

Antes da pandemia, além das aulas, praticava ballet 16 horas por semana. Esteve doente no início de março e nunca mais voltou a ser como antes.

A jovem adoeceu e teve tosse no início de março, como lembra sua mãe à CNN, Jane Evans. Embora ela não tivesse nenhum outro sintoma associado ao coronavírus, os seus pais mantiveram-na em casa por duas semanas, seguindo as orientações do governo.

Como muitas outras que adoeceram nas primeiras semanas da pandemia no Reino Unido, Indiana nunca fez o teste, mas a sua mãe disse que "os médicos diagnosticaram Indiana com síndrome pós-Covid, ou fadiga pós-viral pós-Covid".

A Organização Mundial da Saúde afirmou a semana passada que a pandemia está começando a atingir a população mais jovem em todo o mundo, enquanto a maioria dos casos, de longe, está entre pessoas com idades entre 25 e 64 anos.

Lara Ferin