Um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestaram, esta quarta-feira, "baixa confiança" sobre a vacina contra a covid-19 produzida pela farmacêutica chinesa Sinopharm. Em causa, está a dificuldade em identificar e avaliar os efeitos colaterais graves e raros em alguns pacientes.

Temos muito pouca confiança na qualidade das evidências de que o risco de efeitos colaterais graves, após a toma de uma ou duas doses da BBIBP-CorV, em pessoas com mais de 60 anos ser baixo", diz a agência Reuters que teve acesso à documentação. 

Em contrapartida, estes especialistas acreditam na capacidade desta vacina em prevenir a doença.

De acordo com a agência Reuters, deverá ser divulgado ainda esta semana um relatório de avaliação sobre BBIBP-CorV. Este documento foi preparado pelo Grupo Estratégico de Aconselhamento Estratégico da OMS (SAGE, na sigla original) e inclui ensaios clínicos realizados na China, Bahrein, Egito, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. 

Na Fase 3 destes ensaios, a vacina apresentou uma eficácia de 78,1% após a toma das duas doses. O que representa uma ligeira queda quando comparado com os 79,34% anunciados pela China. 

Estamos muito confiantes de que as duas doses da BBIBP-CorV são eficazes na prevenção da covid-19 em adultos entre os 18 e os 59 anos", lê-se no relatório. 

 

Quanto à análise sobre a segurança entre os participantes com comorbidades (outras patologias associadas), esta foi limitada devido ao baixo número de participantes que tivessem outras comorbidades para além de obesidade", acrescentam. 

Entre as "falhas de provas" está a proteção contra o desenvolvimento de doença grave, duração da proteção, segurança para uso em grávidas ou em idosos e identificação/avaliação de efeitos colaterais raros. 

A vacina da Sinopharm já foi autorizada em 45 países e territórios, com cerca de 65 milhões de doses já administradas. 

Quanto à Sinovac (China) a empresa divulgou uma eficácia entre 50,65% e 83,5%, com base em ensaios conduzidos no Brasil, Indonésia e Turquia.

As vacinas chinesas podem ser uma arma importante para os países menos desenvolvidos, que enfrentam grandes dificuldades em chegar às vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca ou Johnson & Johnson, que estão a ir quase todas para Estados Unidos e Europa.

Cláudia Évora