"168 secretárias vazias. 168 mochilas por estrear. 168 futuros em suspenso." Para alertar o mundo para a grave crise na educação causada pela pandemia de covid-19, a Unicef instalou uma "Sala de aula pandémica", enorme e vazia, na sede da ONU, em Nova Iorque, nos EUA. As 168 secretárias vazias representam as 168 milhões de crianças que, no último ano, em todo o mundo, não tiveram aulas, porque as suas escolas estiveram completamente encerradas.

A nossa mensagem para os líderes mundiais é: nenhum esforço deve ser poupado para reabrir as escolas", diz a Unicef.

O relatório sobre o encerramento das escolas conclui que em 14 países as escolas permaneceram praticamente fechados desde março de 2020 a fevereiro de 2021. Dois terços desses países estão na América Latina e nas Caraíbas, afetando quase 98 milhões de crianças em idade escolar. Desses 14 países, o Panamá foi o que manteve as escolas fechadas mais tempo, seguido por El Salvador, Bangladesh e Bolívia.

168 empty desks. 168 unused backpacks. 168 million futures hanging in the balance.

This pandemic classroom installation...

Publicado por UNICEF em  Terça-feira, 2 de março de 2021

Mas as crianças nos outros países também foram afetadas, porque as escolas estiveram temporariamente fechadas ou com ensino limitado. De acordo com Unicef, 217 milhões de crianças em todo o mundo (ou seja, uma em sete crianças) perderam cerca de 75% das aprendizagens que teriam numa situação normal.

E segundo os dados da Unesco, mais de 888 milhões de crianças em todo o mundo continuam a sentir "disrupções" na sua educação devido ao encerramento parcial ou total das escolas por causa da covid-19.

Por tudo isto, um ano depois do início da pandemia, o Fundo das Nações Unidas para a Infância afirma que os confinamentos decretados em vários países provocaram uma "catastrófica emergência na educação".

"A cada dia que passa, as crianças que não têm acesso à escola presencial ficam cada vez mais para trás, com os mais marginalizados a pagar um preço mais alto”, diz Henrietta Fore, diretora executiva da Unicef, em comunicado. “Não nos podemos nos dar ao luxo de ter estas crianças mais um ano com um ensino limitado ou mesmo sem nenhuma escola. Nenhum esforço deve ser poupado para manter as escolas abertas ou dar-lhes prioridade nos planos de reabertura."

Para além das aprendizagens, de acordo com a Unicef, a maioria das crianças em idade escolar em todo o mundo confia nas escolas como um lugar onde podem interagir com seus colegas, procurar apoio, ter acesso a serviços de saúde e uma refeição nutritiva. Quanto mais tempo as escolas permanecem fechadas, mais riscos as crianças correm de não ter acesso a estas condições imprescindíveis para a sua infância.

Maria João Caetano