O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos identificou, até agora, cerca de 5.800 pessoas totalmente vacinadas que contraíram covid-19 e que representam uma pequena fração dos 66 milhões de americanos que foram vacinados.

As descobertas são consistentes com estudos anteriores que indicam que casos positivos de coronavírus são extremamente improváveis entre as pessoas vacinadas e que confiram que as vacinas previnem doenças graves.

"Como acontece com outras vacinas, é expectável que milhares de casos de infeções ocorram mesmo que a vacina esteja a funcionar como esperado", disse a agência em comunicado na quinta-feira.

Estes são os dados reunidos pelo CDC sobre estas infeções:

  • cerca de 40% das infecções ocorreram em pessoas com mais de 60 anos, mas houve casos em todas as faixas etárias;
  • 65% eram mulheres;
  • 29% das infecções foram relatadas como assintomáticas;
  • 7% das pessoas com estas infecções foram hospitalizadas;
  • 1%, ou seja 74 pessoas, morreram.

Os casos de infeções entre pessoas já vacinadas acontecem quando o corpo não apresenta uma resposta imunológica adequada ou quando a imunidade enfraquece com o tempo, explicou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas.

"Vemos isso com todas as vacinas em testes clínicos", disse Fauci. "E no mundo real, nenhuma vacina é 100% eficaz, o que significa que teremos sempre infecções inesperadas, independentemente da eficácia da vacina."

Dois estudos publicados no New England Journal of Medicine no mês passado mostraram percentagens similares e pequenas de casos entre profissionais de saúde totalmente vacinados.

"As infecções resistentes da vacina constituem uma pequena percentagem de pessoas que estão totalmente vacinadas", afirma o CDC em comunicado, recomendando que todas as pessoas elegíveis recebam uma vacina covid-19 assim que possível.

O CDC recomenda que as pessoas que foram totalmente vacinadas devem continuar a tomar todas as precauções em locais públicos, como usar máscara, ficar a pelo menos dois metros de distância dos outros, evitar aglomerações e espaços mal ventilados e lavar as mãos com frequência”.

A probabilidade dessas infecções "muito raras" acontecerem depende da quantidade de vírus que circula numa comunidade, disse à CCN o Dr. Kawsar Talaat, médico infeciologista e professor da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins.

"Por isso temos o objetivo de obter imunidade coletiva", disse Talaat. "Porque quando chegarmos a um ponto em que um número suficiente de pessoas na comunidade estejam vacinadas, se alguém desenvolver covid nessa comunidade, as pessoas ao seu redor estarão protegidas e será muito mais difícil para essa pessoa transmitir o vírus para outra."

Maria João Caetano