Foi na Universidade de Guadalajara, no final do mês de janeiro, que a ciência identificou, pela primeira vez no México, a mutação E484K do Sars-Cov-2. 

Esta mutação é neste momento objeto de estudo, para se tentar perceber se é uma estirpe local e se terá implicações nas pessoas que já tomaram a vacina ou estiveram infetadas. 

Isto, porque ao que tudo indica, esta mutação pode comprometer a proteção imunológica.

Até ao momento, registaram-se, pelo menos, quatro casos positivos da mutação E484K em Jalisco, sendo que os infetados têm idades heterogéneas, entre os 30 e os 60 anos. Há registo de que uma das pessoas infetadas esteve em contacto com um cidadão estrangeiro. 

Esta mutação já havia sido identificada no Brasil e na África do Sul, o que não quer dizer que os quatro infetados de Jalisco tenham sido infetados com as variantes destes países, necessariamente. 

Neste momento, com vista a confirmar se a variante é local, estão a ser realizadas investigações científicas. 

Estamos na busca por mais informação, de modo a conseguir detetar a maior quantidade de variantes possíveis", afirmou a professora Natali Vega Magaña.  

Ainda não há estudos sobre esta mutação, mas os especialistas não se coíbem, no momento de afirmar que esta mutação pode abalar o reconhecimento do vírus pelos anticorpos, e por conseguinte comprometer a proteção imunológica de pessoas que já haviam sido vacinadas contra a covid-19, ou inclusive, infetadas pelo vírus. 

Esta mutação do Sars-Cov-2, possivelmente está relacionada com uma segunda infeção", continuou Natali Vega Magaña. 

A comunidade científica tem vindo a alertar as autoridades de Saúde, para a forte possibilidade de as vacinas que têm sido aprovadas, e consequentemente administradas, podem não ser eficazes contra as novas variantes que contêm esta mutação, visto que não foram testadas com esse propósito. 

Ravi Gupta, um dos mais conceituados professores de microbiologia da Europa, que exerce na Universidade de Cambridge, é categórico e afirma que esta mutação é "a mais preocupante de todas as que conhecemos até ao momento"

Miguel Castanho, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, explicou, na TVI24, que para que esta nova mutação do vírus possa ser considerada uma nova estirpe, é necessário fazer uma análise da componente genética, e perceber até que ponto as alterações vão determinar mudanças na constituição proteica do vírus.

O problema destas variantes é que as diferenças, do ponto de vista da constituição, por vezes são muito pequenas, mas estão em locais críticos para o funcionamento do vírus. São pontos críticos, para a atuação das vacinas ou alguns medicamentos, o que pode determinar um decréscimo na eficácia das vacinas", continuou o especialista.

Diogo Assunção