A exploração sexual, com 70% dos casos, é a principal causa do tráfico de pessoas enviadas do Brasil para outros países, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira pelo Ministério da Justiça brasileiro.

No Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas, divulgado na véspera da comemoração, na sexta-feira, do Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, frisou-se que 32 das 46 operações de cooperação jurídica internacional para combater o tráfico de pessoas nas quais o Brasil participou entre 2017 e 2020 com outros países, ou seja, 70%, foram realizadas para resgatar vítimas de exploração sexual.

Depois, surgem as ações de resgate de pessoas submetidas ao trabalho escravo, com 12 operações de cooperação internacional (26%), e por último as destinadas ao resgate de vítimas de processos de adoção ilegal, com duas operações (4%).

O número de operações de cooperação internacional para combater o tráfico de pessoas manteve-se estável nos últimos anos, sendo nove em 2017, 14 em 2018, 11 em 2019 e 12 em 2020.

Os dados indicam que 74% dessas operações foram solicitadas pelas autoridades brasileiras, “o que reforça a hipótese da prevalência de casos de tráfico de pessoas para exploração sexual, em que brasileiros são explorados em outros países, segundo o estudo.

Os principais países alvo das operações conjuntas foram Espanha, Estados Unidos, França, Paraguai e Peru, de acordo com o Relatório Nacional, elaborado pelo Ministério da Justiça em cooperação com o Escritório das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (Unodc).

O estudo também indicou que a grande maioria dos 166 processos por tráfico de pessoas abertos pelo Ministério Público brasileiro nos últimos anos busca identificar os responsáveis pelo envio de brasileiros ao exterior, principalmente mulheres, para serem submetidas à exploração sexual.

“O tráfico de pessoas é um crime cruel e gravíssimo que alimenta organizações criminosas internacionais e devasta a dignidade humana”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Anderson Torres, citado em nota do ministério.

Segundo dados do Ministério da Justiça, das 255 chamadas recebidas entre 2017 e 2019 pelos telefones autorizados pelo Governo para receber denúncias anónimas sobre tráfico de pessoas, 79 (31%) referiram-se a tráfego internacional e 176 (69%) a casos dentro do país.

Das 79 denúncias recebidas sobre tráfico internacional de pessoas nos três anos, 45 tratavam de brasileiros submetidos à exploração sexual no exterior, ou seja, 57%.

Em seguida, ocorreram denúncias de pessoas submetidas a semelhantes condições de escravidão no exterior, com 21 ligações (26,6%), de vítimas de adoção ilegal no exterior, com 11 ligações (13,9%), e de vítimas de procedimentos de extração de órgãos para transplante, com dois atendimentos (2,5%).

Agência Lusa / JGR