Uma investigação este domingo publicada pelo Sunday Times revelou que a China armazenava um vírus encontrado em 2012 semelhante ao SARS-CoV-2, da Covid-19, no laboratório do Instituto de Virologia de Wuhan. Esta revelação surge dias antes do início da investigação da Organização Mundial da Saúde, que vai à China para tentar identificar a origem da pandemia.

Em agosto de 2012, uma pequena equipa de cientistas chineses viajou para a cidade de Tonggua, na região de Mojiang, no sudoeste da China, para investigar uma nova doença, potencialmente mortal. O destino da equipa era, mais precisamente, uma mina de cobre abandonada.

Devidamente equipados com roupa adequada e máscaras de proteção, os cientistas aventuraram-se no interior da mina. O cheiro, relataram, era nauseabundo. O chão da mina estava coberto de dejetos animais bem como de agentes patogénicos possivelmente mortais. O teto estava repleto de morcegos.

Semanas antes, um grupo de seis homens tinha entrado na gruta e manifestado sintomas severos de pneumonia. Mas a doença confundiu os médicos: todos os doentes tinham febre acima dos 39 graus, tosse e dores no corpo. Com a exceção de um, todos tiveram graves dificuldades respiratórias. Três acabaram por morrer. Quatro tiveram teste positivo para coronavírus; os outros dois morreram antes de serem testados.

A investigação do Sunday Times relata que os cientistas detetaram um vírus na mina. Amostras de matéria fecal foram congeladas e enviadas para um laboratório para análise e armazenamento. O laboratório escolhido foi o Instituto de Virologia de Wuhan.

A descoberta, segundo o jornal britânico, foi abafada e praticamente não tem rasto. Porém, foi possível encontrar informações sobre o vírus numa tese de mestrado de um jovem médico chinês, cujo orientador era um especialista que trabalhava na unidade de cuidados intensivos onde foram tratados os homens infetados na mina. No entanto, a tese omite o facto de o vírus ter sido a causa de pneumonias fatais. 

A China mantém um elevado grau de sigilo no que toca a publicações académicas. Todos os trabalhos académicos e científicos têm de ser enviados a um comité que reporta diretamente ao governo, que decide se este pode ou não ser publicado.

Depois de meio milhão de mortes e mais 11 milhões de infetados, a Organização Mundial da Saúde prepara-se agora para lançar uma investigação independente à origem do vírus.

O inquérito deverá volta a levantar dúvidas sobre a origem do vírus, que se acredita ter começado num mercado abastecedor de Wuhan. Tese que para Peter Daszak, especialista britânico em doenças transmitidas por animais, não faz sentido.

O vírus não teve origem no mercado, mas sim noutro sítio”, disse ao Sunday Times.

Recorde-se que o presidente norte-americano, Donald Trump, e o seu executivo, acusam repetidamente a China de ter causado a pandemia. Mike Pompeo, secretário de Estado americano (cargo equivalente ao ministro dos Negócios Estrangeiros), afirmou que existem “enormes evidências” de que o vírus tenha tido origem numa fuga do laboratório de Wuhan.