A Organização Mundial da Saúde (OMS) recorreu a letras do alfabeto grego para designar as variantes do coronavírus SARS-CoV-2 consideradas de interesse ou preocupação, para evitar discriminações relativamente aos países onde foram detetadas.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a OMS adianta que reuniu um grupo de especialistas, nomeadamente em nomenclatura e taxonomia de vírus, para adotar designações "simples e fáceis de dizer e memorizar".

Os novos nomes das variantes - que não substituem os nomes científicos, mais difíceis de pronunciar e lembrar, mas que continuarão a ser usados no contexto de trabalho científico - foram escolhidos após "uma ampla consulta e revisão de muitos sistemas de nomenclatura", refere o comunicado, assinalando que a medida visa "simplificar as comunicações públicas" e evitar designar as variantes do SARS-CoV-2 pelos locais onde foram identificadas pela primeira vez, "o que é estigmatizante e discriminatório".

A OMS incentiva as autoridades de cada país e os meios de comunicação social a adotarem as novas designações, que serão publicadas no site da organização.

Em declarações ao portal norte-americano Stat, a epidemiologista da OMS Maria Van Kerkhove, adiantou que, segundo a nova designação, a variante britânica, a primeira a ser identificada, vai passar de B.1.1.7 para "Alpha", enquanto a segunda variante conhecida, a sul-africana, a B.1.351, vai passar a designar-se Beta. Já a P.1, a variante detetada no Brasil, passa a designar-se Gamma, e a variante indiana, a B.1.671.2, Delta.

Para a OMS, o facto de um país não estar identificado na nova nomenclatura poderá gerar mais interesse em reportar uma nova variante.

E, segundo ainda Maria Van Kerkhove, se as 24 letras do alfabeto grego se esgotarem já há uma alternativa em cima da mesa.

O SARS-CoV-2 é o coronavírus que causa a doença respiratória covid-19, que se tornou numa pandemia.

A pandemia causou, pelo menos, 3.543.125 mortos no mundo, resultantes de mais de 170,2 milhões de casos de infeção, segundo o balanço feito pela agência noticiosa francesa AFP.

Em Portugal morreram 17.025 pessoas dos 849.093 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

O novo coronavírus (tipo de vírus) foi detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Variantes do vírus original foram identificadas pela primeira vez no Reino Unido, no Brasil, África do Sul ou Índia e migraram para outros países, incluindo Portugal, sendo consideradas mais contagiosas.

Redação / com Lusa