O Papa Francisco apelou hoje aos lituanos para usarem a sua experiência de décadas de ocupação soviética e nazi como modelo de tolerância num mundo intolerante, no início da uma viagem pelas três nações do Báltico.

Recebido no aeroporto pela presidente da Lituânia, Dalia Grybuskaiteova, o líder da Igreja Católica prosseguiu com a sua agenda de encontros políticos, encontros com líderes luteranos e ortodoxos russos, assim como com católicos, que são maioria na Lituânia, mas representam uma minoria na Letónia e na Estónia.

O Sumo Pontífice lembrou que até à chegada das "ideologias totalitárias" no século XX, a Lituânia era um lar pacífico para os diferentes grupos étnicos e religiosos, incluindo cristãos, judeus e muçulmanos, mas hoje o mundo é dominado por forças políticas que exploram o medo e o conflito para justificar a violência e a expulsão de outros.

Cada vez mais vozes semeiam a divisão e o confronto, frequentemente explorando a insegurança ou situações de conflito e proclamando que a única maneira de garantir a segurança e a existência continuada de uma cultura é tentar eliminar, anular ou expulsar outros", afirmou Francisco, defendendo que a Lituânia poderia ser um modelo de abertura, compreensão, tolerância e solidariedade. "Vocês sofreram na pele os esforços para impor um modelo único que anularia as diferenças sob o pretexto de acreditar que os privilégios de uns poucos são mais importantes que a dignidade dos outros ou o bem comum", recordou.

A viagem do líder religioso tem como objetivo marcar o centenário da independência e encorajar a fé nos países bálticos, que tiveram cinco décadas de repressão religiosa imposta pelos soviéticos e de ateísmo patrocinado pelo Estado. Durante a ocupação nazi, nos anos 1940, a comunidade judaica da Lituânia foi quase exterminada.

Os países bálticos declararam a sua independência em 1918, mas foram incorporados à União Soviética em 1940, tendo permanecido anexados até ao início dos anos 90, uma situação só interrompida pela ocupação nazi de 1941-1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

Os três países juntaram-se à União Europeia e à NATO em 2004.