O Papa Francisco apontou esta quinta-feira, em Maputo, Eusébio da Silva Ferreira e a campeã olímpica Lurdes Mutola como exemplos de perseverança e luta contra a resignação perante as dificuldades.

Sei que a maioria de vós gostam muito de futebol, verdade? Recordo um grande jogador de futebol destas terras [de Moçambique], que aprendeu a não ser resignado: Eusébio da Silva, o ´pantera negra`", disse Francisco, falando num encontro com jovens de várias confissões religiosas em Maputo.

O encontro decorreu no pavilhão desportivo do Maxaquene, na baixa da capital, para onde o líder da igreja católica se dirigiu em papamóvel através de algumas das principais vias da cidade, com milhares de pessoas a esperar desde as primeiras horas da manhã para o saudar.

O Papa Francisco saiu do palácio presidencial da Ponta Vermelha e percorreu as avenidas Julius Nyerere e 24 de Julho, espinhal dorsal de Maputo, rumando depois para a baixa onde milhares de jovens o esperavam.

O desporto ilustrou parte da sua intervenção, encabeçada por Eusébio, o histórico jogador do Benfica, que morreu em 2014.

Começou a sua vida desportiva num clube desta cidade, as dificuldades económicas da sua família e a morte prematura do seu pai, não impediram os seus sonhos e a sua paixão pelo futebol fê-lo preservar, sonhar e continuar adiante, chegando a marcar 77 golos por este clube de Maxaquene [ex-Sporting de Lourenço Marques]", continuou Francisco.

Mas sozinho, Eusébio não teria conquistado os seus sonhos, porque futebol é uma modalidade coletiva, que deve inspirar a juventude pelo seu exemplo de solidariedade em campo, afirmou ainda o líder da Igreja Católica.

O Papa assinalou que Lurdes Mutola, ex-campeã olímpica e mundial dos 800 metros em atletismo, é outro exemplo para os jovens moçambicanos pela sua tenacidade e determinação.

Tendes diante dos olhos aquele belo testemunho dado por [Lurdes] Maria Mutola, que aprendeu a perseverar, a continuar a tentar, a pensar em cumprir o sonho de uma medalha de ouro nos jogos olímpicos", afirmou.

Apesar dos vários títulos mundiais que conquistou, prosseguiu, Mutola não esqueceu a sua origem e o seu país, envolvendo-se em ações humanitárias, nomeadamente a ajuda a novos talentos no atletismo.

Francisco assinalou o percurso de Lurdes Mutola como exemplo de luta contra a insegurança e de crença nos sonhos.

É preciso não se deixar bloquear pela insegurança, não se deve ter medo de arriscar e cometer erros, é normal, as coisas mais belas formam-se com o tempo", exortou o chefe da Igreja Católica.

O Papa Francisco cumpre hoje o primeiro de dois dias da visita a Moçambique, no âmbito de um périplo por África, que o levará também a Madagáscar e às ilhas Maurícias.

Francisco é o segundo chefe máximo da Igreja Católica a deslocar-se a Moçambique, depois de João Paulo II ter visitado o país em 1988.