A presidente da Comunidade de Madrid mostrou-se esta quarta-feira contra as palavras do Papa Francisco sobre a presença europeia na América do Sul. Nas comemorações dos 200 anos da independência do México, o Sumo Pontífice refletiu sobre aquilo que julga terem sido "pecados" cometidos pela Igreja Católica na região.

Numa carta lida publicamente durante as comemorações, Francisco diz que "para fortalecer as raízes é preciso fazer uma nova leitura do passado, tendo em conta as luzes e as sombras que forjaram a história do país".

Esse olhar inclui necessariamente um processo de purificação da memória, reconhecer os erros cometidos no passado, que foram muito dolorosos", pode ler-se na missiva do Papa, que, recorde-se, é argentino.

Ora, a partir dos Estados Unidos, e aproveitando uma visita aos Estados Unidos para falar da questão, Isabel Díaz Ayuso afirmou-se "surpreendida" que o Papa, "um católico que fala espanhol", tenha refletido na carta sobre os "pecados" da Igreja.

Para a autarca, aquilo que Espanha fez foi levar o espanhol e o catolicismo, através das missões: "E portanto, [levámos] a civilização e a liberdade ao continente americano".

Mas a viagem da presidente da Comunidade de Madrid é precisamente fortalecer e defender o espanhol e a sua visão no mundo, bem como o legado deixado na América. Ainda antes de se debruçar sobre as declarações do papa, Isabel Díaz Ayuso teve uma outra tirada polémica. "Fatal" foi a palavra que utilizou para descrever a criação do dia dos Povos Indígenas, que foi substituído pelo Dia de Cristóvão Colombo em 2019.

Desde o início, se houve algo que [Espanha] trouxe ao continente americano, foi precisamente a universidade, trouxemos civilização, ocidente, valores que hoje continuam a sustentar democracias liberais prósperas", afirmou na sede da Organização de Estados Americanos.

António Guimarães