Os protestos em Paris começaram de forma pacífica e, durante duas horas, os manifestantes estiveram junto ao tribunal em solidariedade com aqueles que protestam em várias cidades dos Estados Unidos. Mas a polícia acabou por disparar gás lacrimogéneo para dispersar os milhares de manifestantes.

A polícia diz que dispersou a manifestação não por causa de não ser autorizada, mas porque reunia demasiadas pessoas e, sem o devido distanciamento social, havia o perigo de propagação do coronavírus. Em França só são permitidos ajuntamentos com o máximo de 10 pessoas.

VEJA TAMBÉM:

As manifestações contra a violência policial nos Estados Unidos atravessaram fronteiras e continentes e, em várias cidades europeias, empunharam-se cartazes com os slogans “As Vidas Negras Importam” e “Não consigo respirar”. Este último correspondem às últimas palavras ditas por George Floyd antes de ser morto por asfixia por um polícia.

Em França, os protestos não foram só em Paris. Na cidade de Marselha também se viveram intensos protestos. Também aqui os protestos acabaram por degenerar em violência.

Houve também manifestações em Amsterdão, na Holanda, e em Berlim, na Alemanha.

Em Sydney, na Austrália, também se registaram protestos intensos.

Pelo menos 29 detidos na Turquia

Pelo menos 29 pessoas que se manifestavam em Istambul, na Turquia, contra a violência policial e em apoio aos protestos nos Estados Unidos sobre o caso George Floyd, foram detidas, informou a agência estatal da Turquia.

Segundo a agência Anadolu, a polícia interrompeu uma manifestação que decorria no distrito de Kadikoy, em Istambul, na terça-feira, depois de o grupo de cerca de 50 ativistas ter ignorado os pedidos de dispersão.

Alguns dos manifestantes contra a violência policial foram vistos a empunhar um cartaz de George Floyd, um afro-americano que morreu quando um polícia branco de Minneapolis (nos Estados Unidos) pressionou o joelho contra o seu pescoço enquanto Floyd estava algemado no chão e gritava que não conseguia respirar.

As autoridades turcas proíbem frequentemente manifestações ou reuniões públicas por motivos de segurança e os grupos de direitos humanos acusam muitas vezes a polícia de usar força desproporcional para interromper protestos na rua.

No entanto, a morte de Floyd, em 25 de maio, provocou protestos que se espalharam pelos Estados Unidos, mas também por outros países.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, incluindo Minneapolis, Los Angeles, Washington, D.C., Nova Iorque, Chicago, Atlanta e Salt Lake City, mas também em cidades de vários países, como a França, o Canadá, o Quénia e outros.

O presidente norte-americano, Donald Trump, apelou, numa comunicação ao país, aos governadores dos estados afetados para que controlem a violência e avançou com a possibilidade de convocar o exército para repor a normalidade.

Os quatro polícias envolvidos no incidente foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi detido, acusado de assassínio em terceiro grau e de homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.

Manuela Micael / com Lusa - Notícia atualizada às 12:27