O comissário europeu para o Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit, defendeu esta segunda-feira a aposta na economia social como resposta à crise provocada pela pandemia de covid-19, de forma a combater as desigualdades entre cidadãos europeus.

Temos agora que olhar além da crise, temos de investir na construção de uma União mais próspera e mais solidária, mais verde, à altura da era digital, e a economia social tem um papel a desempenhar na consecução destes objetivos”, frisou o comissário, que intervinha na conferência "O papel da Economia Social na criação de emprego e na implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais", organizada pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE).

Nicolas Schmit alertou que “à medida que a pandemia e as suas medidas relacionadas continuam a afetar” todas as sociedades, “é essencial para a Europa assegurar que esta crise não resulta num recrudescer das desigualdades, não apenas no rendimento, mas também de desigualdades de capacidades”.

A economia social representa “uma história bem-sucedida que deve ser considerada como modelo na atual encruzilhada” com que os países de todo o mundo se confrontam, permitindo “a reconstrução das economias e das sociedades”, defendeu.

Numa altura em que os modelos económicos se recentram em crescimento equitativo e sustentável, a força da economia social é cada vez mais reconhecida. A economia social pode ajudar a reinventar a forma como vivemos no mundo, a forma como produzimos e consumimos, como transportamos”, defendeu.

Nicolas Schmit assegurou que “a Comissão [Europeia] não deixará de apresentar medidas concretas capazes de fortalecer a economia social a curto e médio prazo, contribuindo para um crescimento sustentável e equitativo e uma plena recuperação” dos Estados-membros.

O nosso objetivo é que os parceiros da economia social sejam chamados a contribuir e as suas contribuições sejam plenamente aproveitadas”, sustentou, lamentando que “a opinião pública, os decisões políticos, os financiadores” por vezes tenham ainda “uma compreensão limitada das especificidades das organizações de economia social e do seu impacto positivo sobre a sociedade e o meio ambiente”.

Isto significa que, muitas vezes, os atores da economia social não beneficiam dos apoios adequados, porque o peso económico é muitas vezes subestimado”, embora a economia social represente 10% do produto interno bruto [PIB] europeu.

Além disso, o comissário salientou a “capacidade empreendedora” deste modelo económico, “contribuindo para uma maior criação de emprego”.

A UE não deixará de encorajar os níveis centrais e regionais a adotarem medidas de apoio à economia social e potenciar o seu contributo”, garantiu, apelando a “um maior nível de cooperação” das organizações e empresas da economia social com o setor público, assim como com a economia tradicional.

. / JGR