O Presidente francês, Emmanuel Macron, criticou, esta terça-feira, aqueles que querem na presidência da Comissão e Conselho europeus alguém que “não ofusque os chefes de Estado e de Governo” dos 28, defendendo líderes com “grande legitimidade”.

Não faço parte daqueles que procuram, de alguma forma, apagar competências ou ter ao leme da Comissão ou do Conselho Europeu líderes que não ofusquem os chefes de Estado e de Governo. Precisamos de líderes com grande experiência, grande legitimidade”, frisou à saída da cimeira europeia informal que decorreu, esta terça-feira, em Bruxelas.

O Conselho Europeu reuniu-se hoje para iniciar as discussões sobre as nomeações para os cargos de topo na União Europeia – presidência da Comissão, Conselho e Parlamento Europeu, assim como o posto de Alto Representante para a Política Externa -, reforçando a posição de que cabe aos 28 indicar os nomes para aqueles cargos, sem ter de seguir o processo de ‘spitzenkandidaten’ (termo alemão que designa candidatos principais das famílias políticas na assembleia europeia).

Assumido crítico do alemão Manfred Weber, o candidato do Partido Popular Europeu (PPE), aquele que mais eurodeputados elegeu no escrutínio europeu, Emmanuel Macron lembrou que a Comissão Europeia é “o maior poder executivo da Europa” e, como tal, a pessoa que seja nomeada para o cargo “deve saber o que é um poder executivo” e deve ter “competência para exercê-lo”.

Estamos a falar de presidir ao Conselho Europeu, o que significa que precisamos da legitimidade de um líder para fazê-lo, de presidir ao Parlamento Europeu… Precisamos dos melhores”, rematou.

O Presidente francês assumiu que circulam nomes no momento e que outros podem surgir nos próximos dias, mas que a sua prioridade é nomear “as pessoas mais qualificadas”.

Ao contrário de Macron, a sua aliada habitual, a chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a insistir no seu candidato, Manfred Weber, para presidir à Comissão, estimando que a experiência executiva não é imprescindível para liderar a instituição.

O alemão só tem experiência no Parlamento Europeu, onde liderou o grupo parlamentar do PPE, ao contrário do candidato socialista, o holandês Frans Timmermans, e da principal candidata dos liberais, a dinamarquesa Margrethe Vestager.

O primeiro foi ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2012 e 2014 e ocupou nos últimos cinco anos o cargo de primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, enquanto a atual comissária europeia da Concorrência foi vice-primeira-ministra e Ministra da Economia entre 2011 e 2014.