Paulo Portas, comentador e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, considera que, dada a atual situação que se vive na Venezuela, "infelizmente está-se a aproximar de um de dois cenários indesejáveis: o um conflito interno, ou uma interferência externa".

Nicolás Maduro tem do seu lado as forças armadas, incluídas no complexo militar–industrial da Venezuela, incluindo economia e interesses, e por outro lado tem milícias armadas, durante anos", lembrou Portas, para fazer notar que a força do governo é desigual no braço de ferro que se vive no país da América do Sul.

Resistindo à entrada de ajuda humanitária, Nicolás Maduro teve de fechar as fronteiras da Venezuela, mas, segundo Paulo Portas, os números dos cidadãos que já deixaram o país deixam antever uma pressão sobre Caracas.

Em três anos, 1,1 milhões de venezuelanos foram para a Colômbia, que tem 50 milhões de habitantes: é mais do que na crise de refugiados de 2015 na Europa e nós somos 500 milhões", exemplificou Portas, sistematizando que mais 506 mil pessoas emigraram para Peru, 288 mil para o Chile, 221 mil para o Equador, "e até, para a Argentina, 130 mil e Brasil, cerca de 96 mil".

Estes países, em particular a Colômbia, como não conseguem resolver o problema do êxodo na fronteira e têm limites na capacidade de acolhimento podem estar muito tentados a procurar resolver o assunto na fonte", avisou.

O cenário de uma intervenção externa é assim cada vez mais possível, segundo o comentador, "o que significa que procurar condições para uma qualquer mediação eficaz é cada vez mais necessário".

Irlanda e o Brexit

Analisando a questão da saída do Reino Unido da União Europeia - como o novo prazo de Theresa May, até 12 de março, para votar no parlamento o acordo de saída - Portas considera que a primeira-ministra "quis evitar que isso acontecesse já esta semana de forma vinculativa".

Sobre a rebelião dentro do próprio partido conservador britânico, Paulo Portas considera que os ministros e deputados "estão muito nervosos porque ela ainda não apresentou rectificado" o novo acordo. Sendo que, a pressão externa sobre May também se mantém.

A pressão que se ouve menos e se vê menos é da Irlanda. Porque, em certo sentido, quis tudo e mais alguma coisa: quis aproveitar o Brexit, que é responsabilidade alheia, para se colocar com a Irlanda do Norte no mesmo regime económico, favorecendo assim uma reunificação futura e a quebra da unidade do Reino Unido", considerou.

No Jornal das 8 da TVI, Paulo Portas analisou ainda a cimeira realizada pelo Vaticano sobre os abusos sexuais sobre menores por parte de membros da igreja católica, considerando que o Papa atuou na linha dos que tem feito, ao convocar "conferências episicopais no mundo inteiro sobre o síndroma do estupor e da vergonha, perante um caso que é, nas suas palavras, uma monstruosidade".

Também a recente recandidatura do democrata Bernie Sanders às próximas presidenciais norte-americanas mereceu uma análise de Paulo Portas, para quem o anúncio trouxe vantagens ao atual presidente Donald Trump.

A inclinação do partido democrata para a esquerda, que é o reverso da inclinação do partido republicano para o populismo, está a prejudicar próprio partido democrata: quanto mais para a esquerda for o partido democrata, mais o centro fica livre e ele pode crescer", justificou Paulo Portas.