O partido socialista espanhol (PSOE) venceu as legislativas de domingo, sem conseguir a maioria, o que vai obrigar o primeiro-ministro Pedro Sánchez a procurar aliados para governar um país dividido, foi anunciado esta segunda-feira.

Este escrutínio, no qual foram já apurados 99,99% dos votos, ficou marcado pela entrada, pela primeira vez desde o fim da ditadura, da extrema-direita no parlamento espanhol. A participação nas eleições legislativas antecipadas de em Espanha foi de 75,79%, mais 9,3 pontos percentuais do que a registada no escrutínio de 2016.

O PSOE foi o partido mais votado nas legislativas espanholas, ao conquistar 28,68% dos votos e 122 deputados.

O segundo mais votado foi o Partido Popular (PP), que conseguiu 16,7% dos votos e 66 deputados. Nas últimas legislativas, em 2016, o PP elegeu 137 deputados.

A nove lugares do PP, o terceiro partido mais votado foi o Cidadãos (15,86%), que elegeu 57 deputados, mais 25 do que na legislatura anterior.

O Unidas Podemos (extrema-esquerda) é a quarta força no parlamento espanhol, ao eleger 42 deputados, enquanto que o partido de extrema-direita Vox, com 10,26% dos votos, elegeu 24 deputados.

O conjunto dos partidos da direita espanhola falharam o objetivo de obter, em conjunto, a maioria absoluta no parlamento e formar Governo, apesar da grande subida da votação no Vox.

Os três partidos do bloco de direita, PP, Cidadãos (direita liberal) e Vox, conseguiram reunir um total de 147 deputados, um número aquém dos 176 necessários para ter a maioria absoluta do Congresso dos Deputados, que tem um total de 350 membros.

Até há poucos anos, o PP alternava com o PSOE na chefia do Governo de Espanha, mas o aparecimento do Cidadãos e a fuga de membros para formar o Vox teve como consequência a descida do partido na preferência dos espanhóis.

"O futuro venceu e o passado perdeu", disse Pedro Sanchez, no discurso de vitória perante os cerca de mil apoiantes que se concentraram no domingo à noite, na sede do partido, em Madrid.

O primeiro-ministro espanhol garantiu ainda que que não vai negociar a formação de um executivo com o Cidadãos, apesar de admitir governar com todos, no âmbito da Constituição.

“A partir das nossas ideias de esquerda e da nossa posição progressista, vamos estender a mão a todas as formações políticas dentro da Constituição, para governar contra as desigualdades sociais, em concórdia e com limpeza democrática”, comentou, afirmando que o respeito pela lei fundamental espanhola é “a única condição”.

Num discurso proferido ao mesmo tempo que Sanchez, o líder do Cidadãos, Albert Rivera, opinou na noite eleitoral de domingo que o PSOE vai governar Espanha com a coligação Unidas Podemos e com os nacionalistas, o que considerou uma "má notícia".

Rivera disse também que a "boa notícia" é que o seu partido fará uma oposição leal à Constituição e acabará a governar o país.

O presidente do Vox, Santiago Abascal, classificou como um "verdadeiro milagre" o forte crescimento do partido. "Isto é só o princípio, o Vox veio para ficar", afirmou.

Vice-presidente do PSOE diz que partido pode governar sozinho

A vice-presidente do Executivo espanhol, Carmen Calvo, disse que o PSOE vai tentar governar com 123 deputados, defendendo um Governo progressista no sentido de conseguir “quatro anos de tranquilidade”.

Em declarações à estação de rádio espanhola Cadena Ser, Carmen Calvo afirmou que se deve “respeitar toda a gente e falar-se com toda a gente” assim como se deve “tentar que a cultura de colaboração abra caminho na política espanhola”.

“Seremos um governo progressista, somos a esquerda de Governo, por isso lutamos em consciência no PSOE, para não ceder este espaço” (ao partido Unidas Podemos), acrescentou a vice-presidente socialista.

Neste sentido sublinhou que é necessário alcançar “quatro anos de tranquilidade”, conseguir o crescimento sustentado da economia espanhola e fazer esbater a crise social.

Carmen Calvo disse que o PSOE vai tentar governar com 123 deputados reafirmando a vontade de se conseguir “estabilidade”.

“Faltam muitos dias e Unidas Podemos também vão avançando com compreensão”, frisou Carmen Calvo quando questionada sobre o possível cenário de um governo de coligação com o partido de Pablo Iglesias.

“Todos vamos fazendo o caminho e aprendendo”, disse.

A vice-presidente do PSOE considerou que “há apoio mais do que suficiente para o (PSOE) ser o ‘timoneiro do barco’”, recordando que Unidas Podemos ajudou muito os socialistas nos últimos dez meses.

“Reforçaram-nos como governo progressista, podemos continuar a avançar com a fórmula que iniciámos”, sublinhou.

A responsável do PSOE disse ainda que a “ultra-direita deu um ‘tiro no pé’ ao querer desmontar a cultura de consciência cívica e política”, em Espanha.