Um tribunal do Bangladesh condenou à pena de morte nove membros da oposição e outros 25 a prisão perpétua por um ataque a um comboio, há quase 25 anos, que transportava a atual primeira-ministra, Sheikh Hasina.

O principal partido da oposição, do arquirrival de Hasina e ex-primeiro-ministro Khaleda Zia, denunciou esta quinta-feira o veredicto, que considerou ter motivações políticas.

A 23 de setembro de 1994, a atual primeira-ministra e então líder da oposição viajava num comboio de passageiros que foi atacado na estação ferroviária de Pakshi. O ataque resultou em dezenas de feridos, mas Hasina saiu ilesa.

A acusação e a aliança partidária Liga Awami, de Sheikh Hasina, já felicitaram o veredicto de um julgamento que se arrastou por mais de duas décadas.

Por seu lado, o Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP), o principal partido da oposição, denunciou que todos os condenados são líderes e ativistas do partido ou de órgãos associados e que o veredicto tem motivações políticas.

Em comunicado, o secretário-geral do BNP, Mirza Fakhrul Islam Alamgir, descreveu o veredicto como "encenado e cruel", acrescentando que o mesmo "se alinha com a política do Governo para eliminar o BNP, recorrendo ao tribunal".

A coligação da primeira-ministra Sheikh Hasina venceu em dezembro as eleições legislativas no Bangladesh, um resultado que a oposição rejeitou, denunciando fraudes.

Apesar da alta popularidade de Hasina - devido a um período de forte crescimento económico, por ter livrado o país da imagem de nação miserável - os seus críticos descrevem-na como uma autocrata embrionária que prendeu o seu rival Khaleda Zia e reprimiu dissidentes com prisões em massa de ativistas da oposição, desaparecimentos forçados e leis draconianas que abafam a imprensa.