Uma equipa de investigadores no Reino Unido criou uma peneira à base de grafeno que consegue filtrar o sal da água salgada. A inovação pode vir a permitir o acesso a água potável a milhões de pessoas em todo o mundo e ser uma mudança radical em países onde o acesso a água limpa é muito limitado. 

O grafeno, uma forma cristalina do carbono organizado numa rede hexagonal, foi identificado pela primeira vez na Universidade de Manchester em 2002. Desde então foi considerado um “material maravilha”. Os cientistas iniciaram então uma “corrida” ao desenvolvimento de uma peneira com custos reduzidos que permita a dessalinização a uma escala industrial. 

A equipa de investigadores do Reino Unido conseguiu utilizar um composto do grafeno, o óxido de grafeno, para criar uma peneira rígida que poderá filtrar sal usando menos energia. Até agora os cientistas tinham conseguido alguns sucessos, mas encontraram sempre entraves, nomeadamente, o facto dos poros da membrana incharem quando imersos na água, levando a que as partículas de sal continuassem a passar.

A descoberta, divulgada esta semana e feita em Manchester, alega que foi já possível conseguir controlar a expansão e tamanho dos poros.

Segundo o artigo publicado esta segunda-feira no Nature Nanotechnology journal, a equipa explica que conseguiu restringir o crescimento dos poros ao revestir o material com um composto de resina. A inovação permite evitar que os poros inchem e leva a que os cristais de sal continuem a ser filtrados deixando para trás água limpa e potável.

A descoberta é “um passo significativo e vai abrir novas possibilidades para melhorar a eficiência da tecnologia na dessalinização”, disse Rahul Nair, responsável pelo projeto, num comunicado da universidade.  

"Esta é a primeira experiência clara. Demonstrámos também que existem possibilidades realistas para expandir a abordagem descrita e produzir em massa membranas à base de grafeno com os tamanhos de peneira necessários."

Permitir o acesso a água potável globalmente é neste momento uma prioridade. Em 2025, 14% da população global vai sofrer com a escassez de água, prevê a União Europeia. As alterações climáticas podem ainda piorar os cenários, ao levarem a um aumento da temperatura e à escassez de chuva. 

A nova solução parece promissora, mas há ainda alguns cuidados e obstáculos a passar, nomeadamente perceber se as membranas são resistentes a todo o material biológico que se encontra no mar e se esta é uma solução energética eficiente.