A mulher do candidato conservador às eleições presidenciais francesas, François Fillon, foi esta terça-feira formalmente acusada pela justiça no caso do alegado trabalho fictício na Assembleia Nacional (parlamento) entre 1998 e 2002, para que terá sido contratada pelo marido.

Os magistrados franceses consideraram que Pénélope Fillon, de 61 anos, foi remunerada em milhares de euros de fundos públicos por um trabalho que não chegou a realizar, refere uma fonte judicial citada pela agência Reuters.

Ouvida durante mais de 12 horas pelos juízes, Pénélope Fillon, de origem britânica, vai ser investigada por suspeita de cumplicidade no desvio de fundos públicos, informa a mesma fonte.

Esta decisão judicial surge duas semanas depois de o próprio François Fillon ser formalmente indiciado por desvio de fundos públicos e apropriação indevida de fundos no mesmo caso.

A acusação formal a Pénélope Fillon constitui mais um golpe para a campanha presidencial de François Fillon.

A polémica à volta de Fillon começou depois de o jornal satírico Le Canard Enchaîné ter noticiado que a mulher terá recebido mais de 900 mil euros num acumular de empregos fictícios e pagos pelo próprio antigo primeiro-ministro.

Mas os favorecimentos de Fillon à família não se terão ficado por aqui: o candidato presidencial também terá remunerado os dois filhos, com uma verba de rondava os 84 mil euros, como seus assistentes, quando foi senador, entre 2005 e 2007. As circunstâncias em que receberam as remunerações e as funções que exerceram não são muito claras. 

François Fillon já fez saber que não vê razões para devolver o dinheiro que foi pago à mulher e aos filhos enquanto seus colaboradores e anunciou que vai manter a candidatura à presidência francesa, apesar da acusação judicial.