As casas de François Fillon, candidato da direita francesa às eleições presidenciais, foram alvo de buscas policiais.

Primeiro, na quinta-feira, um apartamento em Paris, na sexta-feira a casa de campo perto de Le Mans, de acordo com fontes citadas pelas agências internacionais.

Em causa a investigação à suspeita de ter favorecido a mulher e os filhos com empregos fictícios no parlamento, pagos a peso de ouro, quando era primeiro-ministro.

As notícias das buscas domiciliárias saíram na mesma altura em que o candidato apresentou o seu programa eleitoral, precisamente no dia do seu aniversário, neste sábado.

Estou a ser atacado mas através de mim querem atacar a recuperação nacional e isto é motivo para mudança do qual cada um de vocês faz parte. Então, peço-vos: não abdiquem, nunca renunciem!", disse, num comício em Paris.

O Partido Republicano anunciou, entretanto, que vai discutir os últimos desenvolvimentos da polémica que envolve o seu candidato, numa altura em que muitos retiram o apoio ao antigo chefe do Governo, de 63 anos, incluindo o porta-voz da sua campanha

Dado o evoluir da situação política a sete semanas das eleições presidenciais, o comité político, que inclui os candidatos do partido nas primárias, foi antecipado um dia, para segunda-feira, às 12 horas", foi anunciado em comunicado.

Recorde-se que o também antigo primeiro-ministro Alain Juppé, que chegou a ser considerado um dos favoritos, perdeu as primárias da direita para Fillon, em novembro passado.

O candidato presidencial anunciou, na última quarta-feira, que vai ser acusado e presente a um juiz a 15 de março. Mas a gravidade da situação está longe de demovê-lo da corrida ao Eliseu.

A polémica começou depois de o jornal satírico francês Le Canard Enchaîné ter noticiado que a mulher de Fillon terá recebido mais de 900 mil euros num acumular de empregos fictícios e pagos pelo próprio antigo primeiro-ministro.

Mas os favorecimentos de Fillon à família não se terão ficado por aqui: o candidato presidencial também terá remunerado os seus dois filhos, com uma verba de rondava os 84 mil euros, como seus assistentes, quando foi senador, entre 2005 e 2007. As circunstâncias em que receberam as remunerações e as funções que exerceram não são muito claras. 

Fillon já fez saber que não vê razões para devolver o dinheiro que foi pago à mulher e aos filhos enquanto seus colaboradores.