Ansiedade, depressão, irritabilidade, dores inexplicáveis, espasmos, insónia, atrofia muscular ou perda de memória são apenas alguns dos sintomas de uma doença descoberta no Canadá que está a intrigar a comunidade científica.

Os primeiros casos foram detetados em pacientes que se julgava terem doença Creutzfeldt-Jakob, uma patologia degenerativa rara que ataca o cérebro, o sistema nervoso central e que provoca sintomas como perda de memória, alterações comportamentais e dificuldades de coordenação motora.

Um dos primeiros casos encontrados foi o de Roger Ellis que no dia do 40º aniversário de casamento colapsou sem razão aparente, em 2019, avança a BBC.

Com cerca de 60 anos, o paciente, nascido e criado em New Brunswick, na Península Acadiana, no Canadá, começou a ter delírios, alucinações, perda de peso, episódios de agressão e fala repetitiva após o incidente, que, inicialmente, foi diagnosticado como uma convulsão.

A certa altura, já nem conseguia andar. No espaço de três meses, chamaram-nos ao hospital e disseram-nos que achavam que estava a morrer, mas ninguém sabia bem o porquê”, explica o filho Steve Ellis.

Roger Ellis acabou por testar negativo à doença de Creutzfeldt-Jakob, bem como a uma vasta bateria de outros exames. Só em março, é que o filho Ellis se deparou com uma explicação plausível, embora parcial, para a doença do pai.

A Rádio-Canadá, emissora pública do país, teve acesso a um relatório de saúde pública, que tinha sido enviado para os profissionais de saúde da região. O documento dava conta da existência de um grupo de pessoas que exibiam um quadro clínico comum, que poderia ser uma doença cerebral degenerativa desconhecida até à data.

A primeira coisa que disse foi: este é o caso do meu pai”, explica o jovem Ellis.

O primeiro caso desta nova patologia foi detetado em 2015, mas desde então surgiram novos casos.

A província canadiana está a rastrear, até ao momento, 48 pacientes. A maioria dos casos desenvolveram sintomas por volta de 2018, mas acredita-se que há um doente está a demonstrar efeitos da doença desde 2013.

Os afetados são tanto homens como mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 85 anos. Todos os doentes são da Península de Acadiana e da região de Moncton, em New Brunswick.

Acredita-se ainda que seis pessoas já morreram vítimas desta patologia.

Frequentemente, os pacientes começam por ter dificuldades em dormir, uma espécie de insónia severa ou hipersonia. Seguem-se sintomas como dificuldades na fala, alucinações, perda de memória, perda de peso, ansiedade, irritabilidade ou até atrofia muscular.

Em casos severos, os doentes podem mesmo desenvolver “Delírio Capgras”. Em que o paciente acredita que alguém muito próximo de si foi substituído por um impostor.

É algo perturbador, por exemplo, um paciente poderia dizer à mulher: -Desculpe, não pode estar na minha cama, porque eu sou casado. E mesmo que mulher lhe explique quem é, ele responderia: -Você não é real”, explica um dos investigadores, o médico Alier Marrero.

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Nuno Mandeiro