O Pentágono diz que avisou a Rússia que ia atacar a base síria de Shayrat, na província de Homs, na madrugada de sexta-feira.

As forças russas foram avisadas com antecedência do ataque através da linha de não-conflito [deconfliction line, no original, utilizada para proteger os pilotos de ambos os lados durante um ataque das duas potências]. Os Estados Unidos tomaram as devidas precauções para minimizar o risco de atingir pessoal russo ou sírio que estivesse na base", garantiu o porta-voz do Pentágono, o capitão Jeff Davis, através de comunicado. 

Na mesma comunicação, o Departamento de Defesa norte-americano justificou o que considerou ser uma "resposta proporcional ao ato hediondo de [Bashar al-]Assad".

A base aérea de Shayrat  era usada para armanezar armas químicas. Os serviços secretos dos Estados Unidos confirmaram que o ataque químico do passado dia 4 de abril foi conduzido através de um avião desta base. O nosso ataque pretende travar o regime sírio de voltar a usar armas químicas."

O Pentágono informou, também, que "está a avaliar os resultados do ataque".

Um primeiro balanço indica que este ataque danificou gravemente ou destruiu aviões sírios, infraestruturas e outros equipamentos da base, reduzindo a capacidade do governo sírio de recorrer às armas químicas. O uso de armas químicas contra inocentes não será tolerado."

A Defesa norte-americana indicou, ainda, que "sob autorização do presidente [Donald Trump], os EUA realizaram um ataque com mísseis de cruzeiro às 20:40 (04:40, dia 7, na Síria".

Foram utilizados mísseis Tomahawk, lançados dos porta-aviões USS Porter e USS Ross estacionados no Mediterrâneo. "Um total de 59 mísseis visaram a base, atingindo abrigos aéreos, petróleo, armazéns, munições e radares."

Foi uma resposta ao ataque com armas químicas do governo sírio, no dia 4, em Khan Sheikhoun, e que matou e feriu centenas de civis, incluindo mulheres e crianças. (...) Como sempre, os Estados Unidos tomaram medidas extraordinárias para evitar baixas civis, respeitando a Lei do Conflito Armado. Todas as precauções foram tomadas para executar este ataque com riscos mínimos para o pessoal da base."

Recorde-se que a resposta dos Estados Unidos seguiu-se à confirmação por parte do ministro da saúde turco de que as autópsias às vítimas do ataque de terça-feira confirmaram o uso de gás sarin.

Vladimir Putin já reagiu ao ataque. O presidente russo considerou "que os ataques norte-americanos na Síria são uma agressão contra um Estado soberano e uma violação do direito internacional, já que aconteceram sob um pretexto inventado”.

NATO também foi informada

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, também disse ter sido informado pelos Estados Unidos de que iria ser realizado o ataque contra a base aérea síria. 

"O regime sírio tem a total responsabilidade por este desenvolvimento; a NATO tem consistentemente condenado o contínuo uso de armas químicas pela Síria, numa clara violação das normas e acordos internacionais", lê-se num comunicado hoje divulgado, que dá ainda conta de que "qualquer uso de armas químicas é inaceitável, não pode ser ignorado, e os responsáveis têm de ser responsabilizados".

Mas Stoltenberg não foi o único. A União Europeia, a Turquia e a França já confirmaram, oficialmente, que foram notificados do ataque.

Portugal não foi informado mas "compreende" os aliados que atuam em retaliação a "crimes de guerra", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, sublinhando que são precisas posições unidas da ONU e da União Europeia.

Uma testemunha do ataque disse a uma reportagem da ABC no local que, antes de os Estados Unidos atingirem a base, os militares sírios evacuaram as instalações, retirando pessoas e equipamentos.

Segundo o mesmo relato, os militares russos chegaram a usar esta base no início de 2016, mas há algum tempo que retiraram os seus oficiais da base, que seria dirigida apenas por militares sírios e iranianos. Também haverá um hotel nas proximidades, mas não é claro se terá sido atingido.  

Esta testemunha, que reside na região e é ativista dos direitos humanos, acredita que os efeitos do ataque entre a população civil terão sido mínimos, uma vez que àquela hora não haveria movimentações nas ruas.

No entanto, de acordo com a agência oficial síria Sana, o ataque causou a morte a nove pessoas, entre as quais quatro crianças. Fez ainda sete feridos e provocou importantes estragos em habitações das aldeias de Al-Shayrat, Al-Hamrat e Al-Manzul.