A China construiu cerca de 400 campos de detenção para a minoria étnica uigur, sendo que dezenas têm sido criados nos últimos dois anos. A denúncia parte de uma organização australiana e desmente a garantia dada por oficiais chineses de que as detenções estavam a diminuir.

De acordo com imagens de satélite obtidas pelo Instituto Australiano de Política Estratégica (ASPI, na sigla em inglês), desde 2017 foram identificados 380 campos de detenção na região. E pelo menos 14 destes campos estão ainda em construção.

Estas imagens mostram que apesar das garantias dadas pelos oficiais chineses, o investimento na construção de novos centros de detenção tem continuado”, sublinhou Nathan Ruser, investigador do instituto australiano.

A China é acusada de manter detidos cerca de um milhão de membros da etnia chinesa de origem muçulmana uigur, na província de Xinjiang, extremo noroeste do país. A região converteu-se num estado policial, com pontos de controlo e câmaras de circuito fechado equipadas com reconhecimento facial dispostas nas ruas e edifícios.

Especialistas consideram que a campanha de doutrinação dos uigures, levada a cabo pelo presidente Xi Jinping, constitui um "genocídio demográfico".

Em junho, uma investigação da Associated Press revelou uma prática sistemática das autoridades chinesas no sentido de reduzir a natalidade entre uigures, submetendo regularmente as mulheres a testes de gravidez, esterilizações e até abortos em centenas de milhares. Segundo dados oficiais, entre 2015 e 2018, as taxas de natalidade nas cidades de Hotan e Kashgar, habituadas sobretudo por uigures, caíram mais de 60%.

No ano passado, uma investigação da BBC denunciou que a China estava a separar deliberadamente crianças muçulmanas das suas famílias na região do Xinjiang para 'achinesar' os meninos uigures.

Sofia Santana