O departamento de vigilância do Estado de Israel anunciou esta segunda-feira a abertura de uma investigação à debandada que causou 45 mortos na semana passada numa peregrinação em Meron (norte) com milhares de judeus ortodoxos.

“[O drama] podia ter sido evitado e agora temos o dever de determinar como”, afirmou o “controlador” do Estado, Matanyahu Englman, numa conferência de imprensa, anunciando a abertura de uma “investigação especial”.

Encarregado de supervisionar o funcionamento das instituições públicas, o gabinete do “controlador” tinha alertado por duas vezes, em 2008 e 2011, para as deficiências do equipamento no local do monte Meron, que recebeu na quinta-feira várias dezenas de milhares de pessoas para a festa judaica de Lag Baomer.

Se isso tivesse sido corrigido, talvez a catástrofe pudesse ter sido evitada”, disse Engleman.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, também ministro da Justiça interino, pediu no domingo ao procurador-geral para analisar a possibilidade de o atual Governo de transição lançar uma comissão de inquérito do Estado, investigação mais importante que a do “controlador”.

Apenas uma tal Comissão “poderia ter em conta todos os elementos da catástrofe”, afirmou.

Netanyahu, que considerou o drama uma “das maiores catástrofes” da história do Estado hebreu, tinha prometido um inquérito “exaustivo”, sem precisar a instância que o realizaria.

O chefe da polícia para o norte de Israel, Shimon Lavi, disse assumir a “responsabilidade” da tragédia, assim como o ministro da Segurança Pública, Amir Ohana, que declarou, no entanto, não aceitar a “culpa”.

A ministra dos Transportes, Miri Regev, também é alvo de críticas por ter, segundo a imprensa local, fretado autocarros para permitir que alguns ultraortodoxos participassem na peregrinação.

Cerca de 100.000 pessoas terão participado na peregrinação e, além dos 45 mortos, pelo menos 150 outras pessoas ficaram feridas.

Os funerais das vítimas, que começaram na sexta-feira, mas foram interrompidos durante o ‘shabbat’, dia de repouso, recomeçaram no sábado à noite e prosseguem esta segunda-feira.

Um estudante de uma ‘yeshiva’ (escola talmúdica) de 21 anos, originário da Argentina, foi enterrado em Jerusalém na presença de várias centenas de pessoas e do ministro do Interior, Arieh Deri, informaram media israelitas.

Entre os mortos, cuja identificação terminou no domingo, encontram-se cerca de 15 crianças e adolescentes, incluindo seis norte-americanos, dois canadianos e pelo menos dois franco-israelitas.

/ HCL