O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, defendeu a posição de António Costa, ao não criticar as ameaças à democracia no país, quando se encontrou com Viktor Orban, o primeiro-ministro húngaro, em Budapeste.

Foi um dos pontos mais polémicos na agenda nacional na última semana. O encontro de António Costa com o homólogo da Hungria mostrou um lado menos conhecido do primeiro-ministro português, a real politik a funcionar, tendo em vista a aprovação do mecanismo de financiamento europeu em resposta à pandemia.

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Para Péter Szijjártó, em visita a lisboa, a reação crítica é a que surge sempre que algum estado não critica abertamente o seu país.

Quem for a Budapeste e concorde connosco em alguns assuntos vai ser atacado de certeza pela comunicação social. (…) O estado de direito é muito importante. Somos um país de lutadores pela liberdade e não é nenhum exagero meu. Tivemos de lutar pela nossa liberdade há 30 anos. Conseguimos libertar-nos do regime comunista há 30 anos, em 1990. Acho que o Estado de Direito e o Estado de democracia são tão importantes que não podemos basear os nossos julgamentos em perceções subjetivas e critérios inexistentes”, disse o responsável húngaro pela política externa, em entrevista à TVI.

A verdade é que no final da negociação, os parceiros europeus chegaram a um acordo, não sem uma troca muito dura de acusações do Governo holandês.

O que eles dizem, ou o resumo do que eles normalmente dizem, os elementos do governo holandês, é que a democracia na Hungria não está a funcionar como deve de ser. É uma acusação que não podemos aceitar.”

Em entrevista à TVI, o líder da diplomacia húngara garantiu, ainda, que nenhum jornalista foi preso no seu país e que o Governo não pretende controlar os meios de comunicação social.

A verdade é que há meios de comunicação social que apoiam mais as políticas do Governo, talvez mais do que noutros países. Mas isso também faz parte da liberdade dos media.”

A irritação do ministro húngaro surge no dia em que o diretor de um dos sites mais críticos do Governo foi demitido.

Filipe Caetano