As árvores falam, têm sexo e vão à casa de banho, defende o autor do bestseller “A Vida Secreta das Árvores”, o alemão Peter Wohllenben, que irritou de tal forma a comunidade científica que tem uma petição contra o seu livro a circular na Alemanha.

Para os cientistas, dizer que “passear numa floresta no inverno é como caminhar sobre papel higiénico das árvores” não passa de um “conhecimento distorcido” dos ecossistemas florestais. Um dos muitos que, defendem, não assenta em factos científicos.  

Nada que detenha Peter Wohllenben, 53 anos, que estudou engenharia florestal e trabalhou na área ao serviço do Estado antes de se dedicar aos livros.

Livros esses que esgotam, como aconteceu nos últimos dias no País de Gales, durante o festival Hay de literatura, e consomem árvores, muitas árvores.

“Não sou contra o uso das árvores, caso contrário não venderia livros. Mas devíamos ao menos pensar sobre o que estamos a fazer. O meu objetivo é que todos adorem as árvores e quando isso acontece fazemos o que é certo”, afirmou, em declarações ao The Guardian.

Peter Wohllenben quer que todos saibam que quando estão a podar uma árvore estão a magoá-la, quando se sentam em cima de raízes estão a magoá-la, quando queimam lenha estão a queimar um cadáver, ainda que o tenham de fazer.

Voltando aos sentimentos, o autor defende que as árvores são seres sociais, que cuidam dos filhos, que falam entre si, que sentem a dor, lembram-se do passado e têm sexo, algumas a cada três/cinco anos.

Peter Wollenben admite que, deliberadamente, antropomorfizou as árvores, mas que isso em nada diminui o cariz científico do que escreveu.

Se tudo isto lhe der vontade de abraçar uma árvore, o autor avisa que é melhor escolher qual abraça. “A Bétula não é muito sociável. É melhor abraçar uma Faia.”