O gestor António Costa Silva disse esta segunda-feira que Angola caiu numa "armadilha" e, dos biliões das receitas petrolíferas "nada ficou para os angolanos", 45 anos depois da independência.

Para António Costa Silva, a centralização do poder, a que a guerra obrigou, combinada com "um boom de receitas do petróleo" logo a seguir ao fim do conflito, levou o país, liderado então por José Eduardo dos Santos, "a uma situação de má governação, de desvio dos fundos, de desvio das receitas, sistemas de corrupção, que são absolutamente iníquos e desvirtuam o funcionamento da economia".

Quando acabou a guerra em Angola, em 2002, estava-se em "pleno boom dos preços do petróleo, portanto o país recebeu receitas financeiras absolutamente extraordinárias, e temos aqui a combinação de dois fatores que ainda levaram a maior centralização do poder", explicou o gestor, que trabalhou na petrolífera estatal angolana Sonangol e esteve ligado à luta pela independência do país.

Ora, "quando há o dinheiro fácil do petróleo, ainda por cima quando centralizadas as decisões numa pessoa é muito mais difícil o país reformar-se, diversificar a economia e apostar nos outros setores que não o petrolífero".

Angola "deixou-se armadilhar" nesse ciclo, que, "combinado com a má governação, criou uma grande armadilha de pobreza para o país no seu todo".

O Botsuana, que também tinha receitas muito significativas dos diamantes, pelo contrário, usou essas receitas financeiras para desenvolver a educação, a saúde, a inovação, a tecnologia e diversificar a economia, exemplificou Costa Silva.

E hoje tem um país que é muito mais próspero e mais resiliente do que Angola", apontou o gestor.

Em Angola, das receitas do petróleo, 45 anos depois da independência “não ficou nada para os angolanos", admitiu, referindo que estudos de vários economistas angolanos são "contundentes sobre o destino desses biliões e biliões de dólares, que foram utilizados pela ganância pessoal e não em benefício do país".

O país, pelo contrário, "sofreu imenso ao longo desse processo", sublinhou.

Para o também presidente da Partex, empresa petrolífera que foi da Fundação Gulbenkian e agora controlada pela tailandesa PTTEP, para sair da armadilha em que se encontra o país precisa agora de "apostar na Agricultura, porque esta, nem que seja de bens básicos, cria alimento, e depois na educação e na saúde".

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