Os serviços de informações dos EUA sustentaram, num relatório divulgado esta sexta-feira, que o Presidente “Putin e o Governo russo procuraram” favoreceram a eleição de Donald Trump e desacreditaram a campanha eleitoral de Hillary Clinton.

Moscovo vai “aplicar as lições aprendidas” nesta campanha para influenciar as eleições em outros países, alertaram aqueles serviços no documento solicitado pelo presidente Barack Obama, que se baseia em informações recolhidas pela polícia federal (FBI, na sigla em inglês) e pelas agências Central de Informações (CIA) e de Segurança Nacional (NSA).

A campanha perpetuada pelos russos, que consistia em piratear grupos e indivíduos democratas, incluindo o presidente da campanha de Clinton, John Podesta, e divulgar essas informações através de sites como o da WikiLeaks, equivalia ao que o relatório de inteligência chamou de "escalada significativa" para minar "a ordem democrática liberal liderada pelos Estados Unidos".

Nós consideramos que o presidente russo Vladimir Putin ordenou uma campanha de influência em 2016 para a eleição presidencial dos EUA. Os objetivos da Rússia eram minar a fé pública no processo democrático dos EUA, denigrir a secretária Clinton e prejudicar a sua elegibilidade e potencial para a presidência. O governo russo desenvolveu uma clara preferência pelo presidente eleito Trump", refere o relatório.

Este foi o primeiro relatório oficial e completo tornado público pelos serviços de informação dos EUA sobre as atividades de pirataria informática orquestrada pelos russos durante a campanha eleitoral de 2016 e as motivações por trás que o ataque de hackers (piratas informáticos).

O documento concluiu ainda que "os esforços russos para influenciar as eleições presidenciais de 2016 representam a expressão mais recente do desejo, de longo prazo, de Moscovo de minar a ordem democrática liberal liderada pelos Estados Unidos".

Sem espaço para mais dúvidas, os serviços de informação norte-americanos afirmam que “a campanha de influência de Moscovo seguiu uma estratégia de mensagens russas que combinam operações das secretas - como a cibercatividade - com esforços abertos por agências governamentais russas, órgãos de comunicação financiados pelo Estado, intermediários e utilizadores de redes sociais pagos”.

Antes das eleições, os diplomatas russos já tinham denunciado publicamente o processo eleitoral dos EUA e estavam dispostos a pôr em causa publicamente a validade dos resultados", refere o relatório, acrescentando que bloggers do governo pró-russo prepararam uma campanha no Twitter sobre a noite eleitoral usando a hashtag "#DemocracyRIP".

A relação com a WikiLeaks também foi alvo de escrutínio. Os serviços de informação dos EUA referem que as agências russas depositaram “grande confiança” no material obtido pela organização de Julian Assange.

No mesmo dia em que este relatório divulgado, Donald Trump referiu, numa entrevista telefónica ao New York Times, que a suspeita de interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas não passam de uma “caça às bruxas politica” perpetuada pelos democratas “envergonhados” pela derrota eleitoral.

Verónica Ferreira / com Lusa