Já foi comparada com o LSD, a heroína e o ecstasy, é da família do café e a nova preocupação das autoridades norte-americanas, depois de ter matado pelo menos 91 pessoas nos EUA. O kratom é uma planta, vendida na forma de suplemento natural, que, apesar de parecer inofensiva, pode tornar-se mortal.

O alerta foi lançado pelo Órgão de Controlo de Drogas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DEA). De acordo com a BBC, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA publicou uma investigação, que examinou 27 mil casos de overdose em 27 estados norte-americanos, sobre os potenciais riscos da planta. As conclusões afirmam que pelo menos 91 pessoas perderam a vida por causa desta droga, entre julho de 2016 e 2017.

Apesar de o kratom ser responsável por uma parte mínima do total de mortes por overdose de drogas nos Estados Unidos (cerca de 1%, segundo o estudo), as autoridades garantem que a substância foi encontrada no corpo de 61 vítimas de overdose, juntamente com outras drogas.

Do número de óbitos provocado pela droga ou por suplementos que continham a substância, 80% dos casos estavam associados a histórico de abuso de substâncias e em 90% não havia supervisão médica para a toma de kratom.

As autoridades estão especialmente preocupadas com o kratom, porque a planta tem propriedades analgésicas, uma vez que contém mitragyna, um ingrediente ativo com efeitos estimulantes, e é fácil de adquirir, podendo os suplementos ser comprados sem receita médica.

E se, em doses baixas, pode ser equiparado a um café cheio, em doses elevadas, os efeitos podem ser comparados aos que qualquer opióide, como a morfina.

De acordo com a BBC, a agência norte-americana afirmou que a substância tem o potencial de causar dependência, tendo sido, por isto, comparada ao LSD, à heroína e ao ecstasy, em 2016.

 

Será o kratom assim tão perigoso?

Apesar do alerta das autoridades, há muitos que defendem que a planta é inofensiva e que não há qualquer perigo associado à toma de suplementos com kratom.

“Numerosos estudos em animais mostraram que o kratom tem uma toxicidade muito baixa", afirmou Charles M. Haddow, da Associação Americana de Kratom, num comunicado citado pela BBC, acrescentando que mesmo doses extremamente altas não provocariam a morte ou efeitos tóxicos significativos em humanos.

Para além de ser cada vez mais popular, o kratom tem ajudado na desintoxicação de muitos dependentes de opióides, porque diminui os efeitos negativos do síndrome de abstinência. E há ainda quem use a planta para cortar com a dependência de drogas duras, tabaco e álcool.

A substância é ainda usada há milhares de anos na Ásia, onde as folhas são transformadas em chá e misturadas com água, para o efeito analgésico.

Para além disto, um estudo do Transnational Institute concluiu que o kratom pode ter efeitos positivos no relaxamento, sociabilidade, alívio de dor e aumento de energia, apesar de poder produzir efeitos negativos como náuseas, dores de barriga, vómitos, calafrios e tonturas.

Ainda assim, a FDA continua a desaconselhar o uso da substância como alternativa a outros analgésicos.

"Nem kratom nem seus compostos mostraram serem seguros e eficazes para qualquer finalidade, e não devem ser usados para tratar qualquer condição ou doença", afirmou a organização, citada pela BBC.

A FDA estima que entre 3 a 5 milhões de pessoas, só nos EUA, usem a planta como alternativa às drogas convencionais.