Uma mulher chinesa que saiu de Whuan - a cidade onde começou o surto do novo coronavírus - antes de as autoridades terem encerrado o aeroporto, escreveu nas redes sociais que tinha conseguido iludir os rastreios à doença à saída do país, tomando medicamentos para  baixar a febre. 

No site WeChat, detalhou que, antes de apanhar um avião para França, tinha febre baixa e tosse. "Por sorte, consegui baixar a temperatura e a minha saída foi tranquila", escreveu, segundo tradução da BBC. 

Finalmente consigo comer uma boa refeição, estou a passar fome há dois dias. Quando estás numa cidade gourmet claro que tens de comer [num restaurante] Michelin", acrescentou, partilhando também fotografias dos pratos e das pessoas com quem estava à mesa do restaurante, na cidade de Lyon.

A publicação rapidamente se tornou viral e a turista foi duramente criticada pelos internautas do seu país. Houve mesmo quem tivesse contactado a embaixada chinesa em Paris, através de telefone ou por e-mail, para denunciar o caso. 

Os serviços diplomáticos informaram então, na quarta-feira, que atribuíam "grande importância" ao sucedido e que tinham conseguido localizar a pessoa em questão, tendo pedido à turista que se dirigisse a um hospital.

Num novo comunicado, emitido na quinta-feira, a embaixada da China em Paris revelava que a turista já não tinha febre nem tosse, pelo que não necessitava de "outros exames" por agora. 

A embaixada não revelou, porém, desde quando é que a turista chinesa estava em França: só ontem, quinta-feira, as autoridades de Wuhan tomaram a decisão de encerrar os transportes, colocando a cidade em quarentena. A medida foi entretanto aplicada noutras cidades e, nesta altura, quase 20 milhões de pessoas estão em quarentena na província de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, onde começou o surto de pneumonia viral que já matou pelo menos 26 pessoas.

Também na quinta-feira a Organização Mundial de Saúde decidiu que é ainda prematuro declarar o surto do novo coronavírus uma emergência global de saúde pública.

Após dois dias de reuniões na sede da OMS em Genebra, um comité de emergência formado por médicos especialistas de vários países e convocado pelo diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou, por enquanto, o possível alerta internacional receando que "seja demasiado cedo".

A OMS reserva a possibilidade de reunir o comité no futuro para discutir novamente uma eventual emergência internacional, o que implicaria a implementação de medidas preventivas a nível global.

/ BC