Um tribunal da Bielorrússia condenou esta quinta-feira a dois anos de prisão duas jornalistas bielorrussas do canal de notícias Belsat, que tem sede baseada na Polónia.

Katsiaryna Andreyeva e Darya Chultsova, de 27 e 23 anos, repórter e operadora de câmara, foram detidas em novembro num apartamento onde tinham estado a filmar os protestos que decorreram na sequência da morte de um manifestante. Recorde-se que a Bielorrússia vive desde 10 de agosto em constante protesto contra o regime, depois de Alexander Lukashenko ter vencido as eleições presidenciais pela sexta vez consecutiva.

Várias organizações internacionais que defendem os direitos humanos já vieram condenar estas detenções.

Ambas as jornalistas declararam-se inocentes das acusações de que tinham orquestrado os protestos por os terem filmado. Como material de prova, a justiça bielorrussa apresentou a câmara de filmar, um microfone, os telemóveis de ambas, várias pens e coletes de imprensa.

As duas suspeitas apareceram em tribunal numa espécie de jaula, fazendo um "V" como sinal de vitória para as câmaras, revela a agência Reuters.

Ao todo, e desde agosto, mais de 33 mil pessoas foram detidas na Bielorrússia. A comunidade internacional tem criticado a atuação de Alexander Lukashenko, que se mantém irredutível na decisão de convocar novas eleições.

Depois das palavras, vários países passaram aos atos, com membros da União Europeia e da NATO a pedirem uma reconsideração. Em sentido contrário, o líder do país escudou-se na Rússia de Vladimir Putin, que se mantém ao lado da antiga república soviética.

Em declarações à agência Reuters, o Comité de Proteção de jornalistas pediu que as autoridades deixassem cair as acusações "absurdas" contra as duas profissionais.

Num comunicado publicado antes da condenção, Katsiaryna Andreyeva admite que sentia medo quando ia trabalhar: "Sempre que fui trabalhar, eu arrisquei a minha saúde e a minha vida. Consegui esconder-me das balas de borracha, explosões de granadas atordoadoras ou canhões de água. Os meus colegas não tiveram tanta sorte".

As duas jornalistas estavam a filmar os protestos que decorreram depois da morte de Roman Bondarenko, homem de 31 anos que morreu em novembro, e que os manifestantes dizem ter sido morto pela brutalidade da polícia. Em reação ao caso, o ministro do Interior viria a negar as acusações.

António Guimarães