A polícia de Hong Kong deteve esta quinta-feira pelo menos 60 pessoas sob suspeita de reunião não autorizada no Dia Nacional da China, depois de manifestantes se reunirem nas ruas de um bairro comercial popular entoando frases pró-democracia.

Entre os detidos estão dois vereadores distritais, disse a polícia num comunicado publicado na rede social Facebook.

As autoridades disseram que as pessoas foram detidas depois de ignorarem repetidas advertências a pedir que dispersassem.

Apelos feitos pelas redes sociais instaram as pessoas a protestar e muitas compareceram ao distrito comercial de Causeway Bay, em Hong Kong.

Muitas destas pessoas gritavam “Afastem a polícia”, “Libertem Hong Kong” e “A revolução do nosso tempo”, uma frase popular pró-democracia que foi banida pelo Governo de Hong Kong por alegadamente incitar ao separatismo.

No entanto, a presença policial superou o número de manifestantes no local, após milhares de polícias de intervenção terem sido destacados para impedir qualquer manifestação pró-democracia em larga escala no dia nacional da China.

O Dia Nacional, que celebra a fundação da República Popular da China, tornou-se um dia de protesto em Hong Kong para aqueles que se opõem ao controlo crescente de Pequim sobre a cidade.

Protestos em grande escala são proibidos devido às restrições de distanciamento social impostas por causa do novo coronavírus.

Na tarde de hoje, a polícia isolou algumas áreas do distrito e revistou pessoas nas ruas.

Em várias ocasiões, as autoridades mostraram faixas de advertência que instavam os manifestantes a dispersarem, dizendo que estavam a participar num protesto ilegal.

Os protestos contra os governos de Hong Kong e da China continental aumentaram no ano passado e Pequim reprimiu as expressões de sentimento antigovernamental na cidade com uma nova lei de segurança nacional que entrou em vigor em 30 de junho.

A lei proíbe atividades subversivas, separatistas e terroristas, bem como conluio com potências estrangeiras para interferir nos assuntos internos da cidade.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha acusam a China de infringir as liberdades da cidade, e os EUA impuseram sanções a funcionários do Governo em Hong Kong e da China devido à essa nova lei.

Numa receção para assinalar o Dia Nacional, a líder de Hong Kong, Carrie Lam, saudou hoje o "regresso da paz" na cidade após a entrada em vigor da lei de segurança nacional imposta por Pequim, que ajudou a pôr fim ao movimento pró-democracia.

"Nos últimos meses, um facto indiscutível para todos é que a nossa sociedade está novamente em paz", disse, no seu discurso de comemoração oficial no 71.º aniversário da fundação da República Popular da China.

Lam também acusou alguns governos estrangeiros de manterem "padrões duplos" e de fazerem acusações injustificadas contra as autoridades que implementaram a nova lei.

/ LF