As legislativas italianas de domingo e segunda-feira deverão permitir o regresso ao poder de Silvio Berlusconi, mas os repetidos ataques contra o seu adversário Walter Veltroni podem não ser suficientes para lhe assegurar uma maioria confortável, informa a Lusa.

Berlusconi, de 71 anos, líder do conservador Povo da Liberdade (PDL), apresenta-se como vencedor seguro do escrutínio e a 8 de Abril, último dia para a divulgação de sondagens, a sua vantagem era de cinco a oito pontos na Câmara dos Deputados face ao Partido Democrata (PD) de Veltroni, de 52 anos.

Walter Veltroni é um «mentiroso profissional» que «fez uma campanha de mentiras» e o PD «não passa da última muda do Partido Comunista Italiano», insistiu Berlusconi no seu último comício na noite de quinta-feira no Coliseu de Roma.

Silvio Berlusconi não mostrou ter «sentido de Estado», respondeu Veltroni, antigo presidente da Câmara de Roma, sexta-feira de manhã em declarações ao canal de informação da RAI.

Os ataques de Berlusconi ao seu adversário, que sistematicamente recusou responder-lhe, marcaram uma campanha eleitoral considerada a mais aborrecida desde há anos e durante a qual os temas de fundo, económicos e sociais, quase não foram abordados.

Por outro lado, o antigo primeiro-ministro italiano não parou de apelar ao «voto útil» para obter uma maioria confortável no Senado, a câmara que suscita todas as dúvidas.

Contrariamente à Câmara dos Deputados, a lei eleitoral atribui no caso do Senado ao vencedor um bónus sobre uma base regional e não nacional.

Num punhado de regiões chave, os dois grandes partidos (PDL e PD) arriscam-se a perder a bonificação em benefício do seu adversário se as formações mais pequenas obtiverem um bom resultado.

Se ganhar, Silvio Berlusconi encontrar-se-á pela terceira vez à frente de um país agora mal economicamente: além de um crescimento a abrandar, terá de enfrentar uma série de problemas com necessidade de resolução urgente, em primeiro lugar a crise do lixo em Nápoles e a venda da Alitalia.

Os mais de 47 milhões de italianos chamados a votar nos próximos dias 13 e 14 podem escolher entre 32 listas, 15 das quais apresentam candidato à chefia do governo e em que só oito têm representação em todas as circunscrições.
Redação / FGC